Uma escultura de Nossa Senhora de Aparecida foi localizada sem a cabeça na Cruz do Chilão, um ponto tradicional de religiosidade popular situado no bairro Santa Helena, em Cuiabá (MT). A descoberta ocorreu na noite da última sexta-feira, dia 25 de setembro, e, até o momento, não há informações oficiais sobre quem possa ter causado o dano, quando o ato ocorreu ou qual teria sido a motivação por trás do vandalismo. A Polícia Civil do Mato Grosso (PCMT) informou que, até o presente momento, não há registro formal de ocorrência relacionado ao caso, o que impede uma investigação definitiva para determinar se o dano foi intencional ou acidental.
A escultura danificada, que representa a Santa Padroeira do Brasil, foi encontrada sem a cabeça na estrutura localizada na Cruz do Chilão, considerada um marco importante na religiosidade local. A Cruz do Chilão fica entre as ruas Luiz Carlos Pinheiro e Tenente Eulálio Guerra, e é reconhecida por integrar elementos das tradições católicas e de povos de matriz africana, além de representar um símbolo da memória cultural, religiosa e histórica de Cuiabá. A comunidade local e fiéis que frequentam o local manifestaram preocupação com o episódio, que ocorre em um momento de destaque por conta de debates envolvendo símbolos religiosos e a figura de Nossa Senhora de Aparecida.
Em nota oficial, a Arquidiocese de Cuiabá condenou o ato de vandalismo e pediu que as autoridades investiguem o caso, bem como identifiquem possíveis responsáveis. A instituição religiosa reforçou que a liberdade de crença e o direito ao exercício dos cultos religiosos são garantidos pela Constituição Federal e que atos de intolerância, discriminação ou violência motivados por questões religiosas podem configurar crimes que devem ser apurados rigorosamente. A Arquidiocese também destacou a importância do diálogo e do respeito às diferentes manifestações de fé, especialmente em um período de transição na administração da Igreja local, conhecido como Sede Vacante, quando o bispo responsável ainda não foi nomeado oficialmente.
O episódio ganhou repercussão em meio a uma controvérsia envolvendo o senador e candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), que negou qualquer intenção de alterar o status de Nossa Senhora de Aparecida como padroeira do Brasil. Circulam na internet publicações que afirmam que o parlamentar estaria por trás de um suposto projeto para retirar a homenagem oficial à santa, o que ele categoricamente negou, classificando tais informações como fake news. Na semana passada, também circularam notícias de que o senador teria manifestado a intenção de decretar que “o Brasil será de Jesus Cristo”, e um projeto de lei apresentado em 2007 pelo então deputado federal Victório Galli (MDB-MT) chegou a sugerir a substituição do termo “padroeira do Brasil” por “padroeira dos brasileiros católicos romanos”, o que alimentou especulações sobre possíveis mudanças no reconhecimento oficial de Nossa Senhora de Aparecida como padroeira nacional.
Este episódio reforça o clima de debates acerca de símbolos religiosos no cenário político e social brasileiro, além de evidenciar a sensibilidade envolvendo manifestações de fé. A Polícia Civil segue sem uma investigação formalizada, aguardando possíveis registros de denúncia ou novas informações que possam contribuir para esclarecer o caso. A comunidade religiosa e a sociedade em geral permanecem atentas às investigações, enquanto o episódio serve como um alerta para a necessidade de respeito às manifestações culturais e religiosas de diferentes grupos.








