A Coreia do Norte afirmou nesta quarta-feira (horário local) que a Coreia do Sul será responsabilizada por eventuais consequências decorrentes da atribuição de culpa a Pyongyang pela explosão de uma mina que feriu dois soldados sul-coreanos na Zona Desmilitarizada (DMZ). A declaração veio após o Ministério da Defesa de Seul afirmar, na terça-feira, que minas norte-coreanas seriam responsáveis pelo incidente ocorrido na semana anterior, e que medidas “correspondentes” seriam adotadas em resposta.
Segundo o governo sul-coreano, a explosão ocorreu na área da DMZ, uma faixa de 4 km de largura que divide as duas Coreias, enquanto uma equipe de reconhecimento do lado sul realizava inspeções na região. O ministro da Defesa da Coreia do Sul, Kang Shin-chul, declarou que há indícios de que as minas usadas na explosão tenham sido colocadas pelo próprio Norte como parte de um esforço de reforço das suas posições na fronteira. Ele também afirmou que o governo sul-coreano está conduzindo uma investigação conjunta com o Comando da ONU, responsável por supervisionar o armistício da Guerra da Coreia, para apurar as circunstâncias do incidente.
A resposta de Pyongyang veio através de Kim Yo Jong, irmã do líder norte-coreano Kim Jong-un, e uma figura de influência no governo de seu país. Em comunicado divulgado pela agência oficial KCNA, Kim acusou as autoridades sul-coreanas de tentarem fabricar “provas materiais” para transferir a culpa pelo ocorrido a Pyongyang. Ela afirmou que “as tribos da Coreia do Sul estão tentando fabricar ‘provas materiais’ para comprovar isso, depois de transferir a culpa pelo incidente para o outro lado”. Além disso, ela advertiu que os líderes responsáveis por essa provocação devem estar preparados para pagar um preço por “a farsa que eles mesmos criaram”.
Kim Yo Jong também reforçou que as tropas norte-coreanas nunca cruzaram a Linha de Demarcação Militar, que atravessa o centro da DMZ, e que a acusação de violação de fronteira por parte de soldados norte-coreanos durante obras de fortificação é infundada. A declaração reforça a posição de Pyongyang de que o incidente foi manipulado por Seul para justificar ações militares ou políticas contra o Norte.
A tensão entre as duas Coreias aumentou nos últimos anos, com Pyongyang deixando de buscar a unificação como objetivo nacional e passando a considerar a Coreia do Sul como seu “principal inimigo”. A acusação de Seul de que minas norte-coreanas causaram a explosão e a resposta contundente de Pyongyang refletem o clima de hostilidade que prevalece na região, especialmente após episódios de provocações e escaladas militares recentes.
Até o momento, as investigações continuam, e as partes mantêm posições opostas quanto às responsabilidades pelo incidente. A situação evidencia o delicado equilíbrio de forças na península coreana, onde ações e reações podem facilmente escalar para confrontos mais graves. A comunidade internacional acompanha com atenção o desenvolvimento do caso, que reforça a persistente instabilidade na região.









