Um ataque coordenado com drones realizado na cidade de Kryvyi Rig, no centro da Ucrânia, resultou na morte de 16 pessoas e deixou aproximadamente 130 feridos, entre eles 23 crianças, segundo informações divulgadas neste sábado (22). Equipes de resgate continuam trabalhando na busca por vítimas e na remoção de escombros, enquanto nove pessoas permanecem desaparecidas. O bombardeio ocorreu durante o dia na cidade industrial, localizada a cerca de 60 quilômetros da linha de frente do conflito, e foi seguido por novos ataques durante a noite, elevando a tensão na região.
O incidente foi classificado pela União Europeia como um ato de “terror premeditado”, em resposta ao qual o governo ucraniano condenou veementemente a ação. O presidente Volodymyr Zelensky descreveu o ataque como “cínico e desprezível” e reiterou sua solicitação para que os aliados internacionais intensifiquem a pressão sobre a Rússia, responsável pelos ataques. Imagens compartilhadas nas redes sociais mostram socorristas atendendo vítimas nas ruas enquanto uma coluna de fumaça se desprendia do edifício atingido.
Segundo relatos, aproximadamente meia hora após o primeiro ataque, um segundo drone atingiu o teto do mesmo shopping, possivelmente com a intenção de atingir as equipes de emergência que trabalhavam no local. Zelensky afirmou que o objetivo do segundo ataque era prejudicar os esforços de resgate. Kryvyi Rig, cidade de forte caráter industrial, tem sido alvo frequente de ataques desde o início do conflito, devido à sua importância estratégica e localização próxima à linha de frente.
Na mesma madrugada, autoridades ucranianas emitiram alertas para moradores de Kiev, recomendando que procurassem abrigo devido à ameaça de novos ataques com mísseis balísticos e drones russos. Na capital, uma pessoa morreu em um incêndio causado por um ataque a um armazém, enquanto no sul do país, outro ataque noturno resultou na morte de um homem. Na região de Mykolaiv, quatro vítimas fatais foram confirmadas após bombardeios realizados por forças russas, conforme informações do ministro do Interior ucraniano, Ivan Viguivski.
Na véspera do dia da independência da Ucrânia, marcada para segunda-feira (24), países aliados do país se preparam para uma reunião importante. O encontro, organizado pela Coalizão dos Voluntários, será copresidido pelo presidente francês, Emmanuel Macron, que participará por videoconferência, pelo primeiro-ministro alemão, Friedrich Merz, e pelo primeiro-ministro britânico, Andy Burnham. Aproximadamente dez líderes internacionais, incluindo o presidente do Conselho Europeu, António Costa, estarão presentes presencialmente em Kiev.
A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, condenou veementemente o ataque ao shopping e anunciou que o bloco pretende ampliar as sanções contra Moscou. Em suas redes sociais, ela afirmou que o ataque demonstra “a absoluta e total perversão da guerra de Moscou”. Zelensky também manteve contato com o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, em uma conversa telefônica na qual discutiram os ataques russos e as mortes civis decorrentes deles.
Desde o início do conflito, a Ucrânia tem solicitado maior apoio internacional para conter a escalada dos bombardeios russos, especialmente diante das dificuldades de interceptação de grandes ofensivas com mísseis balísticos. O aumento da intensidade dos ataques evidencia a complexidade do cenário de guerra, que continua a desafiar os esforços diplomáticos e militares de defesa do país.









