A Embaixada dos Estados Unidos em Moscou emitiu, nesta terça-feira (6), um alerta de saúde pública dirigido aos seus cidadãos na Rússia, após relatos de um possível caso de peste bubônica na região de Irkutsk, na Sibéria, que resultou na morte de uma pesquisadora local. O comunicado oficial reforça a orientação para que os americanos atualmente no país deixem a Rússia de forma imediata, devido ao risco potencial à saúde.
Segundo a embaixada, a situação está sendo monitorada de perto, embora tenha ressaltado que a capacidade de assistência do governo norte-americano aos seus cidadãos na Rússia seja limitada, especialmente fora do âmbito de Moscou. O alerta de viagem de nível 4, classificado como “Não Viaje”, permanece em vigor, recomendando que os cidadãos americanos presentes na Rússia partam imediatamente do país. Além disso, a embaixada reiterou a recomendação de evitar deslocamentos à Rússia devido aos riscos de detenção arbitrária e de segurança.
A orientação oficial inclui recomendações para que os cidadãos que estejam na região afetada sigam as orientações das autoridades sanitárias locais, evitando locais sob medidas de contenção e procurando atendimento médico caso apresentem febre ou sintomas respiratórios. Os viajantes que estiverem em áreas atingidas devem monitorar sua saúde por um período de 14 dias após a exposição, além de prepararem um plano de emergência para deixar o país caso necessário, sem depender exclusivamente da assistência dos Estados Unidos.
O alerta foi motivado pela morte de Darya Shipilova, de 28 anos, pesquisadora do Instituto de Pesquisa Antipeste de Irkutsk. Ela faleceu na sexta-feira (2), após ser internada na terça-feira (29) no Hospital Distrital de Shelekhov, na região de Irkutsk. Inicialmente, a causa da morte foi atribuída a uma pneumonia de origem desconhecida, segundo informações da agência estatal russa TASS. Exames realizados com amostras da pesquisadora não identificaram microrganismos relacionados às atividades profissionais dela, embora a suspeita de peste bubônica tenha sido levantada.
O órgão russo responsável pela supervisão da saúde pública, Rospotrebnadzor, declarou que foram adotadas medidas especiais após o caso, e que as amostras ampliadas de exames não detectaram a presença de bactérias associadas à peste. Todas as pessoas que tiveram contato com a pesquisadora estão sob supervisão médica, conforme o governador de Irkutsk, Igor Kobzev, que não detalhou a natureza da possível infecção, referindo-se ao caso como uma suspeita de “uma infecção particularmente perigosa”.
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou nesta segunda-feira (5) que o governo americano acompanha de perto a situação envolvendo a morte da pesquisadora. Apesar de não haver motivos para alarme imediato, Rubio destacou a possibilidade de rápida disseminação de doenças infecciosas, mesmo com as medidas de quarentena e protocolos de saúde adotados pelas autoridades russas.
A peste bubônica é causada pela bactéria Yersinia pestis e, embora seja uma doença grave, ela pode ser tratada eficazmente com antibióticos, desde que identificada precocemente. A Organização Mundial da Saúde (OMS), por sua vez, pediu nesta terça-feira que a Rússia seja transparente quanto às circunstâncias que envolveram a morte de Shipilova. O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, enfatizou que o compartilhamento completo e oportuno de informações, em conformidade com o Regulamento Sanitário Internacional, é fundamental para esclarecer os relatos conflitantes e avaliar os riscos à saúde pública de forma precisa.









