Buracos negros supermassivos, localizados no centro da maioria das galáxias, podem não apenas consumir gás e poeira do ambiente, mas também reaproveitar uma parte do material que expulsam. Essa descoberta foi publicada em um estudo na revista Astrophysical Journal Letters, na quinta-feira, 16 de julho, e foi baseada em observações realizadas pelo telescópio espacial James Webb.
Os pesquisadores envolvidos na pesquisa sugerem que esse processo de reciclagem de gás pode explicar como esses buracos negros conseguiram crescer de forma tão rápida nos primeiros bilhões de anos do universo, desafiando as previsões dos modelos astronômicos atuais. A presença de buracos negros supermassivos é uma característica comum em galáxias, mas enquanto alguns permanecem inativos, outros consomem grandes quantidades de material e emitem jatos de energia intensos.
Esses jatos de energia aquecem o gás circundante e podem até mesmo inibir a formação de novas estrelas. Com isso, os cientistas inicialmente acreditavam que a expulsão de material pelos buracos negros reduziria a quantidade de alimento disponível para eles. No entanto, a nova pesquisa propõe uma hipótese alternativa: o gás expelido, ao invés de se dissipar, pode esfriar ao longo do tempo, formando longos filamentos que retornam ao centro da galáxia, reabastecendo o disco de matéria que gira em torno do buraco negro.
Para validar essa hipótese, a equipe de pesquisa focou na galáxia NGC 4696, que se encontra a cerca de 145 milhões de anos-luz da Terra. Utilizando o James Webb, os cientistas conseguiram criar um mapa detalhado do gás presente no núcleo da galáxia e identificaram uma estrutura em forma de gancho conectada a um filamento extenso de material que parece estar caindo em direção ao buraco negro supermassivo.
As observações foram comparadas com simulações computacionais, e os resultados mostraram que o comportamento do gás observado estava alinhado com o modelo de reciclagem proposto. De acordo com a equipe, essas imagens representam uma das evidências mais concretas de que esse mecanismo de reaproveitamento de gás realmente ocorre.
Essa descoberta pode contribuir para resolver uma das questões mais intrigantes da astronomia contemporânea. Observações anteriores indicam que buracos negros supermassivos já existiam quando o universo tinha menos de 1 bilhão de anos, mas os modelos atuais sugerem que o crescimento desses objetos deveria levar um período consideravelmente mais longo. Se os buracos negros forem capazes de reaproveitar continuamente o gás que expulsam, isso pode permitir que eles mantenham ciclos sucessivos de alimentação, acelerando assim seu crescimento ao longo do tempo.
Embora novos estudos sejam necessários para confirmar a ocorrência desse mecanismo em outras galáxias, os resultados obtidos até agora indicam que o ciclo de reciclagem de gás pode desempenhar um papel fundamental na evolução dos buracos negros supermassivos.









