Uma falha no sistema de controle ferroviário teria provocado a colisão entre dois trens de alta velocidade na Espanha, acidente que deixou ao menos 64 mortos nesta quarta-feira (28). A informação foi divulgada pelo ministro dos Transportes, Oscar Puente, durante uma coletiva de imprensa. Segundo ele, o problema ocorreu na comunicação do computador responsável pelo controle da operação e interferiu no momento em que as viagens foram retomadas.
De acordo com o ministro, a falha fez com que os trens fossem parados imediatamente. O erro, porém, teria ocorrido durante o reinício das operações. Puente explicou que a decisão de permitir a retomada do deslocamento não foi tomada de maneira adequada, sem que houvesse um intervalo suficiente para garantir a possibilidade de parada do trem.
O ministro afirmou ainda que havia um sinal vermelho em vigor no trecho, o que proibia qualquer movimento adicional. Apesar da indicação, o trem operado pela Renfe recebeu autorização para retomar a viagem e continuou avançando até atingir a composição da Iryo.
“A decisão de reiniciar a viagem do trem não foi tomada como deveria, em um ritmo que permitisse a sua parada. Um sinal vermelho estava em vigor, proibindo qualquer movimento adicional. Apesar disso, o trem da Renfe recebeu ordem para retomar sua viagem e prosseguiu até a colisão”, declarou Oscar Puente.
Colisão ocorreu entre Mora e Orgaz
Segundo informações apresentadas por Ester Padilla, porta-voz do governo regional de Castilla La Mancha, o acidente aconteceu pouco depois das 9h no horário local, o equivalente às 5h no horário de Brasília. A colisão ocorreu entre as cidades de Mora e Orgaz.
O trem da Renfe transportava 397 pessoas, enquanto a composição operada pela Iryo levava 147 passageiros. O impacto provocou o descarrilamento de vagões e espalhou destroços pela área localizada abaixo da linha férrea.
Imagens compartilhadas nas redes sociais mostraram o trem da Iryo descarrilado. Alguns dos vagões dianteiros ainda permaneciam sobre os trilhos, enquanto partes retorcidas da estrutura, painéis quebrados e outros destroços podiam ser vistos em um aterro situado às margens da ferrovia.
Autoridades espanholas lamentaram a tragédia
O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, manifestou pesar pelo acidente em uma publicação nas redes sociais. Em seu primeiro pronunciamento sobre o caso, ele afirmou estar chocado com a gravidade da ocorrência registrada em Toledo e enviou solidariedade às vítimas e aos familiares.
“Estou chocado com o grave acidente de trem em Toledo. Meu carinho, solidariedade e apoio a todas as vítimas e suas famílias”, escreveu Sánchez.
A ministra da Saúde, Mónica García, também se pronunciou sobre a tragédia e fez um apelo para que a população doasse sangue. O pedido foi divulgado em uma publicação, diante da necessidade de atendimento às pessoas afetadas pelo acidente.
O rei da Espanha, Felipe VI, comentou o episódio enquanto participava de um ato nas proximidades de Valência. Ele lamentou a dimensão da tragédia e transmitiu condolências, solidariedade e apoio às famílias atingidas pelo acidente ferroviário.
“A primeira coisa é lamentar essa tragédia terrível. Transmitir às famílias os nossos pêsames, a nossa tristeza, o nosso apoio, o nosso carinho em um momento tão duro, tão difícil”, declarou o monarca.








