Pelo menos 30 pessoas morreram nesta quarta-feira (28) após a colisão entre dois trens de alta velocidade na região de Castilla-La Mancha, no centro da Espanha. O acidente ocorreu a cerca de 150 quilômetros ao sul de Madri, pouco antes das 8h no horário GMT, 5h no horário de Brasília. As autoridades regionais informaram que o número de vítimas ainda pode aumentar.
A ocorrência foi confirmada por Esther Padilla, porta-voz do governo regional de Castilla-La Mancha. Ainda não foram divulgadas informações detalhadas sobre as circunstâncias que levaram à batida entre as duas composições. O acidente mobilizou equipes de emergência e interrompeu a circulação em um dos principais trechos ferroviários de alta velocidade do país.
Brigadas de bombeiros foram enviadas ao local para participar do atendimento e das operações de resgate. Também foram deslocados três helicópteros e duas unidades móveis de terapia intensiva (UTIs), utilizadas para prestar assistência médica emergencial às vítimas. A estrutura mobilizada reflete a gravidade da colisão e a possibilidade de haver mais pessoas feridas.
A Adif, empresa pública responsável pela gestão da infraestrutura ferroviária espanhola, comunicou que o tráfego na linha de alta velocidade entre Madri e a Andaluzia foi suspenso em razão do acidente. A interrupção afeta uma conexão estratégica entre a capital espanhola e a região sul do país, além de comprometer a operação de um sistema utilizado diariamente por passageiros e turistas.
Acidente altera agenda de autoridades espanholas
O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, cancelou a participação em um evento que estava previsto para a manhã desta quarta-feira em Madri, segundo informações divulgadas por sua equipe. O Partido Socialista (PSOE), liderado por Sánchez, também suspendeu todas as atividades de campanha programadas para o dia.
O presidente de Castilla-La Mancha, Emiliano García-Page, afirmou que acompanha a situação com preocupação e cancelou sua agenda para se deslocar até a área do acidente. Alberto Núñez Feijóo, líder do Partido Popular (PP), de direita, também manifestou preocupação com a ocorrência em uma publicação na rede social X.
A colisão acontece durante o período de campanha para as eleições gerais espanholas, previstas para 29 de novembro. A dimensão da tragédia levou as principais lideranças políticas a interromper compromissos e atividades eleitorais enquanto as equipes de emergência atuam no local e as autoridades acompanham a identificação das vítimas e a apuração das circunstâncias do acidente.
Tragédia ocorre menos de um ano após outro acidente ferroviário
O novo acidente ocorre menos de um ano depois de outra tragédia envolvendo trens de alta velocidade na Espanha. Em 18 de janeiro, 46 pessoas morreram em uma colisão entre duas composições em Adamuz, na Andaluzia. O episódio provocou comoção nacional e abriu debates sobre a manutenção da infraestrutura ferroviária e a segurança dos passageiros.
Na ocasião, um trem operado pela empresa privada Iryo descarrilou antes de colidir com uma composição da estatal Renfe, que seguia no sentido contrário. O desastre também resultou em críticas de partidos de direita e de extrema direita ao governo de Pedro Sánchez, em meio às discussões sobre as condições do sistema ferroviário espanhol.
A Espanha possui cerca de 4 mil quilômetros de trilhos de alta velocidade, a segunda maior rede do mundo, atrás apenas da China. O sistema é considerado um dos principais símbolos da infraestrutura do país e desempenha papel relevante no transporte de passageiros, especialmente em um território que está entre os destinos turísticos mais visitados do planeta.








