O governo do Irã afirmou neste sábado, 22 de outubro, que irá classificar como inimigos quaisquer países que se envolvam na implementação de sanções econômicas contra a república islâmica, em resposta às recentes ações dos Estados Unidos de reforçar suas medidas de pressão econômica sobre Teerã. A declaração foi feita por um alto funcionário iraniano à televisão estatal, em um momento de crescente tensão entre os dois países, após o anúncio de Washington de intensificar as sanções com o objetivo de pressionar o governo iraniano a mudar suas políticas.
Mohsen Rezai, chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, foi o responsável por emitir a advertência oficial. Ele afirmou que todos os países que se unirem à guerra econômica promovida pelos Estados Unidos contra o Irã serão considerados inimigos do país. Segundo Rezai, essa postura inclui a possibilidade de o Irã atacar interesses econômicos desses países caso eles persistam em sua participação nas sanções. Ele destacou que, até o momento, o Irã não realizou ataques a interesses econômicos americanos, mas que, em resposta às sanções, já atacou bases militares dos EUA. Rezai deixou claro que, caso os Estados Unidos continuem a impor restrições econômicas, o Irã também atacará as empresas e recursos ligados ao petróleo e às atividades econômicas americanas presentes no país e em outros lugares.
As declarações de Rezai reforçam a postura de resistência do Irã frente às sanções, que vêm sendo reforçadas desde o início do ano, em um contexto de tensões crescentes com Washington. Ele alertou que, se o ex-presidente Donald Trump tomar novas medidas contra o Irã, o confronto poderá se intensificar de forma explosiva, comparando a possível escalada a um terremoto.
A ofensiva de Washington contra o Irã se intensificou após declarações do secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, na última quinta-feira, em que acusou Teerã de praticar “terrorismo econômico”. Bessent afirmou que os EUA possuem meios de provocar a queda do governo iraniano por meio das sanções e que, na próxima segunda-feira, fará uma coletiva de imprensa para detalhar os planos de aumento da pressão econômica. Essas ações ocorrem quase seis meses após o início de uma guerra de alta intensidade, desencadeada por um ataque coordenado de Estados Unidos e Israel contra o Irã, que elevou ainda mais a tensão na região.
Washington tem incentivado outros governos a participarem do esforço de isolamento econômico do Irã, incluindo a China, que mantém uma relação estratégica de parceria econômica com Teerã. A China criticou publicamente as sanções americanas, argumentando que a pressão e as medidas econômicas não resolverão os conflitos no Oriente Médio. Entre os principais parceiros comerciais do Irã, estão os Emirados Árabes Unidos, que anunciaram na terça-feira a suspensão de todas as transações comerciais e financeiras bilaterais até novo aviso, numa tentativa de evitar sanções secundárias e de manter uma postura de cautela diante do aumento das tensões.
A postura do Irã demonstra a escalada do conflito econômico e político na região, com o governo iraniano adotando uma postura de resistência e advertindo que não hesitará em retaliar qualquer ação que considere uma ameaça aos seus interesses. As próximas semanas deverão ser decisivas para o desfecho dessa disputa, que envolve não apenas questões econômicas, mas também a segurança regional e as relações internacionais.









