O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou neste domingo, 23 de outubro, em entrevista concedida à Record TV, que seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, deve se defender das acusações que estão sendo investigadas pela Polícia Federal. Lula reforçou que a autoridade da Justiça deve ser respeitada e que ninguém, incluindo membros de sua própria família, está acima da lei.
Lulinha é alvo de investigações que apuram suspeitas de tráfico de influência e corrupção. As apurações envolvem, entre outros aspectos, a relação dele com a lobista Roberta Luchsinger e com Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. Este último é investigado por supostos esquemas de fraudes contra aposentados e pensionistas, envolvendo possíveis irregularidades na concessão de benefícios previdenciários.
Durante a entrevista, Lula afirmou que, caso as investigações comprovem que seu filho cometeu algum delito, ele deverá responder pelos atos e reparar possíveis prejuízos aos cofres públicos. O presidente também destacou que não pretende interferir no andamento das apurações conduzidas pela Polícia Federal, reforçando a autonomia da instituição. Segundo Lula, a Polícia Federal tem plena liberdade para conduzir as investigações, sem qualquer orientação do governo, inclusive no que diz respeito à apuração de membros de sua família.
A declaração do presidente ocorre em um momento de maior atenção ao caso, que ganhou repercussão adicional com a divulgação de mensagens atribuídas a Lulinha e à lobista Roberta Luchsinger. A defesa de Fábio Luís questiona a autenticidade dessas mensagens e a forma como o conteúdo foi divulgado, alegando que houve uma divulgação seletiva de informações e solicitando acesso integral aos autos do processo.
Lula também comparou a postura de seu governo com administrações anteriores, afirmando que não há ingerência nas investigações por parte do Executivo. Para ele, o devido processo legal deve ser respeitado, independentemente de quem seja o investigado. As apurações envolvendo Lulinha tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF), onde o ministro André Mendonça autorizou a abertura de diferentes frentes de investigação para apurar possíveis crimes relacionados ao empresário.
Em agosto, o ministro Flávio Dino autorizou a abertura de um terceiro inquérito, também solicitado pela Polícia Federal, ampliando o escopo das investigações. O caso tem ganhado destaque na esfera política, especialmente com o início da campanha eleitoral de 2026, colocando o tema no centro do debate político. Lula, que busca a reeleição, tem sido pressionado por adversários a se posicionar sobre as investigações envolvendo seu filho, embora as investigações ainda estejam em andamento e Lulinha não tenha sido condenado.
A defesa de Fábio Luís sustenta que as mensagens divulgadas até o momento não comprovam a prática de crimes e que as investigações devem prosseguir de forma imparcial. Lula afirmou que o filho deve prestar esclarecimentos às autoridades e que a Justiça deve agir de forma igualitária, sem privilégios ou perseguições, reforçando seu compromisso com o Estado de Direito.








