Após a descoberta de que mascar chicletes aumenta a circulação sanguínea no cérebro, melhorando a atenção e a função cognitiva, um novo estudo realizado por cientistas sul-coreanos sugere que mastigar um material diferente, a madeira, pode trazer ainda mais vantagens para a saúde cerebral.
A pesquisa, divulgada em novembro do ano passado, revelou que a mastigação de abaixadores de língua feitos de madeira por um período de cinco minutos pode elevar os níveis de glutationa, um antioxidante crucial para o cérebro que desempenha um papel vital na defesa contra o estresse oxidativo. Níveis mais altos desse antioxidante estão associados a melhorias na memória.
Apesar dos resultados apontarem que a mastigação de substâncias mais duras pode estar ligada ao aumento da concentração de glutationa no cérebro, os pesquisadores ainda não determinaram as razões exatas para esse fenômeno, levantando a hipótese de que isso poderia estar relacionado ao aumento do fluxo sanguíneo cerebral.
De acordo com Mikaela Santos Aguiar, neurologista e neurofisiologista do Hospital Santa Marta, o fluxo sanguíneo cerebral refere-se à quantidade de sangue que chega ao cérebro em um dado intervalo de tempo. “Sem um fluxo sanguíneo adequado, ocorre uma perda progressiva dos neurônios, como no caso de obstruções nas artérias que irrigam o cérebro, podendo resultar em danos irreversíveis se não forem tratados rapidamente, como no caso de um AVC”, explica.
A especialista destaca que o aumento do fluxo sanguíneo cerebral também está associado à prática regular de exercícios físicos. A glutationa, por sua vez, é uma molécula antioxidante que o corpo humano produz e que está presente na maioria das células. Ela é fundamental para proteger as células do estresse oxidativo, prevenindo o envelhecimento celular, prejuízos cognitivos e até mesmo a diminuição da expectativa de vida.
“Para mantermos a glutationa em níveis adequados, é essencial seguir as recomendações médicas: adotar uma alimentação saudável, rica em vegetais e carnes brancas, além de realizar atividades físicas regularmente”, ressalta.
Mikaela enfatiza que o estudo que investiga a relação entre os abaixadores de língua de madeira e os benefícios cerebrais é uma pesquisa inicial, com um número limitado de participantes, tornando prematuro extrapolar esses dados para a população em geral. “Devemos aguardar mais investigações, de preferência com uma amostra maior e um acompanhamento mais prolongado para tirarmos conclusões mais robustas”, conclui.
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