A polícia da Polônia intensificou suas ações após uma série de ataques a escolas no país, mobilizando mais de 20 mil agentes em uma operação de grande escala que resultou na prisão de dezenas de suspeitos e na verificação de aproximadamente 50 mil instituições de ensino. O foco principal foi conter rumores e ameaças relacionadas a uma suposta “Sexta-Feira Sangrenta”, evento que teria sido divulgado nas redes sociais e que, segundo as autoridades, não possui evidências concretas de sua existência ou de um desafio online associado.
Na manhã deste sábado (10), a polícia confirmou a ocorrência de um terceiro ataque em uma escola na capital, Varsóvia. Uma mulher de 21 anos feriu três pessoas dentro de uma instituição de ensino superior na cidade, embora as vítimas não fossem conhecidas da agressora, segundo informações oficiais. Este incidente ocorreu um dia após uma operação de grande porte que visou tranquilizar estudantes e professores, em meio a rumores de que uma semana marcada por episódios violentos, incluindo dois ataques com faca entre adolescentes, culminaria em uma nova tragédia nesta sexta-feira.
As redes sociais na Polônia foram tomadas por rumores de um desafio online que incentivaria ataques às escolas na sexta-feira, mas as autoridades afirmaram que suas investigações não encontraram qualquer evidência que apoie essa teoria. Apesar do pânico social, o ministro do Interior, Marcin Kierwinski, destacou que a prioridade é garantir a segurança dos jovens, afirmando que “não haverá meio-termo aqui — a segurança dos jovens é o mais importante”.
A resposta do governo incluiu o fechamento de 59 escolas em todo o país, principalmente na região da Mazóvia, onde ocorreram os ataques desta semana. A ministra da Educação, Barbara Nowacka, reforçou a preocupação com o impacto da violência na comunidade escolar, enquanto a polícia intensificou suas ações de combate às ameaças online. Desde a última quinta-feira (8), diversas prisões foram realizadas, incluindo jovens de 13 a 15 anos, por postagens e ameaças relacionadas a armas e violência.
Entre os casos mais emblemáticos, está o de um ex-aluno de 15 anos, que utilizava uma câmera acoplada ao capacete e matou um funcionário, além de ferir outros dois, em uma escola primária em Leszczydol-Nowiny, localizada ao nordeste de Varsóvia. Na quarta-feira (7), um jovem de 19 anos feriu 10 pessoas, incluindo a si mesmo, em uma escola de Ostroleka, ao norte da capital. Em Ostroleka, a frequência escolar caiu para 25%, embora as escolas permanecessem abertas, segundo o prefeito Pawel Niewiadomski.
As autoridades também alertaram para a possibilidade de desinformação, com o Ministro da Defesa, Wladyslaw Kosiniak-Kamysz, sugerindo que a Rússia poderia estar tentando usar esses eventos para semear pânico e desestabilizar o país. A Rússia, por sua vez, negou qualquer envolvimento em tentativas de desinformação ou de desestabilização de outros países.
No âmbito das investigações, a polícia destacou a prisão de um jovem de 13 anos em Varsóvia, que havia postado uma foto de uma faca em um grupo de bate-papo e ameaçado colegas. Também foi detido um adolescente de 14 anos na mesma cidade, que portava uma faca e fogos de artifício dentro da escola. Outros dois jovens de 15 anos, do condado de Pruszkow, foram presos por postarem vídeos com ameaças de morte. Além disso, diversas contas de redes sociais divulgaram imagens de uma conta no TikTok, atribuída ao agressor de Leszczydol-Nowiny, que foi posteriormente desativada, enquanto o Departamento Central de Combate ao Cibercrime (CBZC) segue investigando o conteúdo divulgado na plataforma.
A situação na Polônia permanece sob vigilância, com as autoridades reforçando a necessidade de combater a desinformação e garantir a segurança nas escolas, diante de uma semana marcada por episódios de violência e ameaças que têm causado grande impacto na sociedade.









