O ex-presidente do Paraguai, Santiago Peña, foi detido nesta sexta-feira (6), em sua residência, depois que o Senado aprovou por unanimidade seu impeachment. A destituição ocorreu durante a crise financeira do Ueno Bank, instituição submetida à intervenção do Banco Central do Paraguai (BCP) após apresentar problemas de solvência. O Ministério Público investiga o caso e solicitou a prisão preventiva de Peña e de Carlos Carvallo, ex-presidente do BCP, por suspeitas de lesão de confiança e outros delitos.
Segundo informações publicadas pelo jornal paraguaio ABC Color, a Polícia Nacional executou a ordem determinada pelo Ministério Público logo após a conclusão da votação no Senado. Peña foi mantido sob custódia na própria casa, conforme a recomendação dos procuradores responsáveis pela investigação, enquanto aguarda ser apresentado às autoridades do Ministério Público.
A solicitação de prisão foi apresentada ao Juízo de Garantias por quatro procuradores que atuam em unidades especializadas em Crimes Econômicos e Anticorrupção e em Crimes Informáticos. No pedido, os investigadores requereram o cumprimento da ordem de detenção emitida nesta sexta-feira contra Peña e Carvallo, que comandou o Banco Central do Paraguai.
Para o ex-presidente, os procuradores recomendaram a permanência em prisão domiciliar. Já no caso de Carvallo, a medida prevê que ele seja encaminhado a instalações definidas pelo Comando. As providências judiciais integram o inquérito aberto a partir dos problemas financeiros que atingiram o Ueno Bank e que levaram o Banco Central a intervir na instituição.
Votação no Senado teve 44 votos favoráveis
O processo de impeachment recebeu 44 votos a favor da destituição de Peña, resultado que contou com o apoio de todas as bancadas. Os senadores atribuíram ao então presidente mau desempenho no exercício de suas funções, hipótese prevista na Constituição do Paraguai para a remoção de um chefe do Executivo. Com o número necessário de votos alcançado, o afastamento passou a valer imediatamente.
A votação ocorreu em meio à repercussão do colapso financeiro do Ueno Bank. Depois da intervenção do BCP, milhões de clientes ficaram sem acesso ao próprio dinheiro. A situação também provocou manifestações em diferentes pontos do Paraguai e intensificou a pressão política sobre o governo de Peña.
Antes da decisão do Senado, o ex-presidente divulgou um comunicado no qual reconheceu a derrota e informou ter apresentado sua renúncia como forma de evitar novos danos ao país. Peña declarou que pretendia contribuir para a recuperação da tranquilidade nacional e impedir que sua permanência no poder aprofundasse a divisão e a instabilidade. Segundo ele, sua responsabilidade era priorizar o país em relação ao próprio futuro político.
Apesar da renúncia anunciada, o Senado manteve o andamento do processo e aprovou o impeachment por unanimidade. Com a destituição, o então vice-presidente Pedro Alliana assumiu imediatamente a Presidência do Paraguai e deverá permanecer no cargo até 2028. A detenção de Peña e a ordem de custódia contra o ex-comandante do Banco Central ampliam os efeitos políticos e judiciais da crise envolvendo o Ueno Bank.









