A Turquia anunciou nesta sexta-feira, 21 de outubro, a emissão de uma ordem de prisão internacional contra o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e um cidadão israelense, Afek Moskovitch. A medida faz parte de uma investigação relacionada à detenção de ativistas que participavam da chamada “Flotilha para Gaza”, uma iniciativa internacional que visava chamar atenção para a situação humanitária na Faixa de Gaza e contestar o bloqueio marítimo imposto por Israel. A decisão foi comunicada pelo ministro turco da Justiça, Akin Gurlek, que explicou que os mandados de prisão foram emitidos em 14 de julho de 2026, sob acusação de genocídio, e que o Ministério da Justiça solicitou ao Ministério do Interior que emitiu um alerta vermelho para a captura internacional de Netanyahu e Moskovitch.
Os ativistas, cerca de 430 tripulantes a bordo de aproximadamente 50 embarcações, foram interceptados pelo Exército israelense em águas internacionais no Mediterrâneo, em maio passado. Após a abordagem, eles foram levados à força para Israel, onde ficaram detidos na prisão de Ktziot antes de serem expulsos do país. A ação visava protestar contra o bloqueio marítimo de Gaza e chamar a atenção para a crise humanitária na região. Os ativistas pertenciam à iniciativa conhecida como “Flotilha Global Sumd” e partiram da Turquia com o objetivo de romper o bloqueio e sensibilizar a comunidade internacional.
Após o anúncio da Turquia, o gabinete de Netanyahu reagiu duramente, acusando o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, de ser um “ditador antissemita”. O governo israelense afirmou que continuará agindo com firmeza contra o que consideram tentativas da Turquia de desestabilizar a região. Em comunicado oficial, o governo de Israel afirmou que Erdogan “massacrou curdos, apoia o massacre perpetrado pelo Hamas e oprime seu próprio povo”, reforçando a postura de condenação às ações do presidente turco.
A controvérsia ganhou força ainda mais após declarações de Netanyahu, que na segunda-feira anterior classificou Erdogan como um dos “inimigos” do Estado de Israel, em uma campanha política divulgada nas redes sociais. A propaganda, que também foi compartilhada pelo partido Likud, do próprio Netanyahu, buscava influenciar o cenário eleitoral israelense, marcado para o dia 27 de outubro. A imagem mostrava Erdogan ao lado de outras autoridades mundiais, numa tentativa de destacar a postura do líder turco na região.
Além disso, na quinta-feira, Netanyahu afirmou que a Turquia busca estabelecer uma presença militar no norte da Síria, uma alegação que foi reforçada pelo ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, que utilizou a rede social X para afirmar que Erdogan “está arrastando a Turquia para uma aventura perigosa na Síria”. Em resposta, a Presidência turca declarou que a tentativa de Israel de pintar a Turquia como uma ameaça é uma manobra política mesquinha, com o objetivo de obter vantagem eleitoral, minimizando assim as ações de Ankara na região.
O conflito diplomático entre os dois países ocorre em um momento de alta tensão na região, com Israel se preparando para eleições gerais e enfrentando críticas internacionais às suas ações na Faixa de Gaza e na Síria. A emissão da ordem de prisão contra Netanyahu pela Turquia representa uma escalada na disputa diplomática, envolvendo acusações de crimes graves e interesses geopolíticos de ambos os lados.







