O Irã sinalizou que está se preparando para uma nova rodada de confrontos militares com os Estados Unidos, emitindo ameaças públicas contra Washington e seus aliados na região. Essa postura ocorre em meio a uma intensificação das declarações por parte de comandantes iranianos, que afirmaram ter acumulado grandes estoques de armas avançadas prontas para serem utilizadas contra alvos além do Oriente Médio, caso os EUA retomem as hostilidades iniciadas em fevereiro. As ameaças incluem possíveis ataques a infraestruturas estratégicas, como cabos de internet submarinos, centros de inteligência artificial e instalações de petróleo e gás na região.
Nos últimos meses, o comando militar iraniano tem reforçado sua retórica de força, indicando que, em caso de retaliação, poderá ampliar seus alvos e estratégias de ataque. O porta-voz da Guarda Revolucionária do Irã, Hossein Mohebbi, afirmou no final de novembro que o país possui “novos alvos que ainda não foram atacados” e que “o mundo ficará surpreso” com as ações que podem vir a ser adotadas. Essa declaração reforça a percepção de que o Irã se prepara para uma postura de resistência prolongada, enquanto o conflito, que já dura quase nove meses, encontra-se em um impasse que mantém ambos os lados em estado de alerta constante.
Desde o início da escalada, o Irã tem reivindicado sua sobrevivência diante das ações de Washington, enquanto os Estados Unidos e Israel afirmam que suas ações visam limitar o programa nuclear iraniano e conter suas ações na região. Apesar de ambas as partes alegarem vitórias, a situação permanece tensa, com o Irã resistindo às sanções econômicas e às pressões militares, enquanto os EUA continuam testando novas medidas de força, incluindo opções militares de alta escala. Entre essas, destaca-se a possível utilização de bombas de grande potência, como a “mãe de todas as bombas” (GBU-43/B), para atingir infraestrutura crítica iraniana, caso Trump decida retomar ações de combate antes ou após as eleições de meio de mandato, marcadas para 3 de novembro.
O Irã também tem adotado uma postura mais ofensiva em seu aparato militar, realizando exercícios que envolveram o lançamento simultâneo de até 30 mísseis balísticos, além de desenvolver novas capacidades de ataque com drones autônomos habilitados por inteligência artificial. Especialistas, como Farzin Nadimi, do Washington Institute, alertam que, se Teerã decidir testar seus mísseis de longo alcance contra alvos na Europa, potenciais alvos poderiam incluir bases militares dos EUA na Inglaterra ou centros logísticos na Alemanha. Entretanto, esses passos representam uma escalada de alto risco, reservada para momentos de maior tensão.
Para aumentar suas capacidades de ataque, o Irã estaria desenvolvendo mísseis de cruzeiro com propulsão supersônica e aprimorando suas tecnologias de drones para interceptação e guerra eletrônica. A possibilidade de ataques preventivos, inclusive contra bases no exterior, é reforçada por relatos de exercícios militares recentes, nos quais o país lançou múltiplos mísseis simultaneamente. Além disso, há uma preocupação crescente com o uso de tecnologias de inteligência artificial para coordenar ataques mais sofisticados, incluindo enxames de drones capazes de evitar defesas aéreas.
Por sua vez, os Estados Unidos têm reforçado suas defesas na região, com o deslocamento de bombardeiros de longo alcance do Reino Unido de volta às bases americanas, após ameaças não especificadas relacionadas ao Irã. No âmbito diplomático, há sinais de que o governo americano mantém uma postura de cautela, com conselheiros discutindo opções de ataque, ainda que Trump tenha declarado publicamente que não tomaria novas ações antes das eleições. No entanto, fontes próximas indicam que essa decisão pode ser revista, dependendo do cenário político e das ações do Irã.
O Irã também adotou uma postura mais agressiva em sua doutrina militar, sinalizando que pode lançar ataques preventivos, caso se sinta ameaçado. Recentemente, o país realizou exercícios militares abrangentes, incluindo o lançamento de 30 mísseis balísticos em um único evento, como demonstração de força. Analistas, como Nadimi, avaliam que, embora o Irã ainda não tenha demonstrado capacidade plena de ataques coordenados com drones autônomos, há esforços contínuos para avançar nessa tecnologia, incluindo a propulsão de mísseis de cruzeiro com maior alcance e resistência a interceptações.
No cenário regional, as ameaças do Irã se estendem para além de suas fronteiras, com alertas de que, em caso de conflito, poderá atacar ativos dos EUA na região, incluindo instalações em países como os Emirados Árabes Unidos e o próprio território dos EAU, onde o Irã já realizou ataques com mísseis e drones, causando danos e mortes. Autoridades locais afirmam estar mais preparadas para uma eventual retomada dos combates, embora reiterem que o objetivo do país seja evitar uma guerra aberta, mesmo enquanto reforçam sua postura de dissuasão. O clima de incerteza e a escalada de ameaças indicam que a região permanece em um estado de alta tensão, com o risco de uma nova fase de conflito militar cada vez mais presente.








