
Homenagem póstuma
Nova Lima se despede de Edna Lopes, pioneira do rádio e voz de “Aurilândia no Sertão”
Nova Lima se despediu, no dia 14 de agosto de 2026, da radialista Edna Lopes, conhecida carinhosamente como Edinha. Aos 81 anos, ela deixou uma história marcada pelo pioneirismo na comunicação, pela dedicação à família e pelo carinho conquistado entre os ouvintes da cidade e da região.
Apresentadora do programa “Aurilândia no Sertão”, Edna fez de sua voz uma presença familiar no cotidiano da população. Com uma comunicação simples, acolhedora e próxima do público, ajudou a valorizar a música e a cultura sertaneja, estabelecendo uma relação de amizade e confiança com os ouvintes.
Como mulher negra atuando no jornalismo e no rádio em uma época de poucas oportunidades, Edna construiu uma trajetória considerada pioneira por seus familiares. Seu trabalho abriu caminhos e fez dela uma figura popular e respeitada em Nova Lima e nas comunidades próximas.
Nos últimos anos, a radialista enfrentou um delicado quadro de saúde, com complicações relacionadas ao diabetes e a problemas circulatórios. Ela passou por procedimentos cirúrgicos e teve parte de uma das pernas amputada. Diante das dificuldades para continuar morando sozinha na Vila Operária, passou a viver na casa do irmão, conhecido carinhosamente como Baby, onde recebeu acompanhamento e cuidados permanentes da família.
Segundo os familiares, a morte da irmã Helena, com quem Edna mantinha uma relação muito próxima, também a abalou profundamente. Mesmo cercada de cuidados, seu estado de saúde se agravou progressivamente, com o surgimento de infecções, perda de mobilidade e demência.
Na primeira semana de agosto, Edna foi internada após apresentar alterações nos sinais vitais. Embora tenha demonstrado uma recuperação inicial, posteriormente perdeu a consciência e faleceu no dia 14 de agosto. O velório, organizado em meio aos procedimentos necessários para a liberação do corpo, teve duração de aproximadamente três horas. Edna foi sepultada na mesma data.
O sobrinho Henrique, que acompanhou de perto os últimos anos da tia, destacou o papel fundamental que ela teve em sua vida.
“Minha tia era uma pessoa muito especial para mim. Ela ajudou na minha criação e na minha formação como uma pessoa honesta e de bem. Quero me lembrar dela pelo amor e pela profissional pioneira no jornalismo, sendo uma mulher preta.”
Para a família, a partida encerrou um longo período de sofrimento, mas deixou uma saudade profunda. As lembranças de Edna serão preservadas não apenas por sua atuação profissional, mas também pela dedicação às pessoas que ajudou a criar, pelos laços familiares e pelo afeto compartilhado ao longo da vida.
Henrique defende que o legado da comunicadora receba um reconhecimento permanente por parte do município. Para ele, Nova Lima deveria homenagear Edna Lopes dando seu nome a uma rua da cidade, como forma de preservar a memória de uma mulher que fez história na comunicação local.
Edna Lopes deixa um legado de pioneirismo, coragem e proximidade com o público. Sua voz pode ter silenciado nos microfones, mas continuará presente nas lembranças dos familiares, amigos e ouvintes que acompanharam o programa “Aurilândia no Sertão”.
Aos familiares e amigos, ficam os sentimentos de solidariedade. E a Edna Lopes, o reconhecimento e a gratidão por uma vida dedicada à família, à comunicação e à comunidade de Nova Lima.










