A Defensoria Pública de Minas Gerais (DPMG) moveu uma ação civil pública contra a Clínica Credidio Cirurgia Plástica e Nutrologia Ltda. e o cirurgião plástico Rodrigo Ribeiro Credidio, após relatos de complicações graves, incluindo a morte de uma paciente. O pedido inclui a suspensão do exercício profissional do médico até a conclusão do processo, bem como indenizações coletivas e individuais às vítimas.
As investigações da DPMG foram iniciadas após um grupo de pacientes se reunir em decorrência do falecimento de uma mulher que havia passado por procedimentos estéticos na clínica. Os relatos coletados pela Coordenadoria Estratégica de Tutela Coletiva (CETUC) indicam que as cirurgias realizadas entre 2017 e 2024 resultaram em infecções severas, danos estéticos significativos, necessidade de novas intervenções e internações, culminando na morte de uma paciente no pós-operatório.
A ação judicial destaca que as pacientes eram frequentemente incentivadas a realizar múltiplos procedimentos estéticos em uma única cirurgia, com casos em que até cinco intervenções eram realizadas simultaneamente. A DPMG argumenta que a redução de preços em “pacotes cirúrgicos” e a imagem positiva do médico, cultivada por meio de aparições na televisão e redes sociais, contribuíam para a decisão das consumidoras.
Um dos casos mencionados é o de Norma Eduarda da Fonseca, que faleceu em abril de 2024 após complicações graves pós-operatórias. A petição inicial da DPMG aponta para irregularidades na prática médica e na prestação de serviços da clínica, afirmando que a combinação de procedimentos complexos, como lipoaspiração e abdominoplastia, poderia aumentar o tempo cirúrgico e os riscos associados.
Além disso, a Defensoria Pública critica a falta de informações claras e específicas sobre os riscos das cirurgias, bem como a realização de alterações nos procedimentos sem o consentimento adequado das pacientes. A assistência pós-operatória também é alvo de críticas, com relatos de dificuldades em contatar o médico, orientações apenas remotas e resistência em buscar atendimento hospitalar.
O coordenador estratégico de Tutela Coletiva da DPMG, defensor público Victor Matthaus Moreira Silva Cunha, enfatiza que os documentos do processo revelam comportamentos que indicam imprudência e negligência, como o incentivo à realização simultânea de múltiplas cirurgias e a fragilidade no processo de consentimento.
Outro aspecto relevante da ação diz respeito a irregularidades sanitárias na clínica. A DPMG afirma que a unidade operou sem alvará sanitário em dois períodos: de 2019 a 2020 e de 2021 a 2024. As fiscalizações sanitárias identificaram diversas inconformidades, como a falta de manuais técnicos, registros de manutenção de equipamentos e condições inadequadas de higiene.
Embora as cirurgias principais sejam realizadas em hospitais de Belo Horizonte, a Defensoria ressalta que o suporte pré e pós-operatório ocorreu nas dependências da clínica, o que poderia expor os pacientes a riscos sanitários.
Em caráter liminar, a DPMG solicita a suspensão do exercício profissional do médico, sua substituição na direção técnica da clínica e a apresentação de documentos como termos de consentimento e prontuários médicos das pacientes atendidas entre 2019 e 2024. No mérito da ação, a Defensoria requer a condenação solidária do médico e da clínica ao pagamento de indenizações por danos morais coletivos, no valor mínimo de R$ 800 mil, a serem destinados ao Fundo Municipal de Saúde de Belo Horizonte, além de indenizações individuais que serão apuradas em fase posterior.
A DPMG também pede a ampla divulgação do processo para identificar outras possíveis vítimas. A reportagem buscou contato com a Clínica Credidio Cirurgia Plástica e Nutrologia Ltda. e o médico Rodrigo Ribeiro Credidio, mas aguarda retorno. O espaço permanece aberto para manifestação.








