Uma mulher de 29 anos e seu companheiro, de 33 anos, foram detidos na manhã deste domingo (13/9) em Uberaba, no Triângulo Mineiro, sob suspeita de maus-tratos contra uma bebê de apenas um ano de idade. A criança foi levada ao pronto-socorro da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) São Benedito na madrugada, apresentando sinais de engasgo após a ingestão de leite, mas durante o atendimento médico foram constatados sinais de violência física e possíveis queimaduras, o que levou à suspeita de maus-tratos.
Segundo informações da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), a bebê chegou à unidade por volta de 1h, acompanhada da mãe e do padrasto. Ela apresentava dificuldades respiratórias e não respondia adequadamente aos estímulos, o que motivou a equipe médica a realizar procedimentos de emergência, incluindo desengasgo, intubação e reanimação cardiopulmonar. Durante o atendimento, os profissionais identificaram hematomas em diferentes regiões do corpo, como rosto, testa, tórax, abdômen e costas, além de uma lesão compatível com queimadura de cigarro no tórax.
Após estabilizar os sinais vitais da criança, os médicos realizaram uma nova avaliação antes de transferi-la ao Hospital das Clínicas de Uberaba. Nessa avaliação, foram detectados hematomas também na parte superior dos pés e uma nova lesão na região do tórax, reforçando a suspeita de maus-tratos. Durante o procedimento, a bebê sofreu uma parada cardiorrespiratória, sendo necessário realizar nova reanimação.
A versão inicialmente apresentada pela mãe foi alterada ao longo do atendimento. Ela afirmou que a filha teria se engasgado após tomar leite, mas, ao ser questionada sobre os hematomas, alegou que a criança teria caído do berço. A Polícia Militar, então, realizou inspeções na residência da família e avaliou o berço, concluindo que a hipótese de queda do local não condizia com as lesões encontradas no corpo da bebê.
O padrasto também forneceu versões contraditórias aos policiais. Inicialmente, declarou que não tinha conhecimento do ocorrido e que não havia pegado a criança, mas posteriormente afirmou que ela teria se engasgado após ingerir leite. Ainda de acordo com a PMMG, o médico responsável pelo primeiro atendimento relatou que, após os procedimentos de desengasgo, não foi identificada obstrução das vias aéreas por líquido.
O homem deixou a unidade pouco tempo após a chegada, alegando que saiu porque estava sem camiseta e não queria permanecer no local dessa forma. Ele retornou horas depois em um carro, quando foi abordado pelos policiais. Em revista, os agentes encontraram duas camisetas masculinas no veículo, além de uma mochila com roupas e fraldas da criança, objetos considerados incompatíveis com a justificativa apresentada pelo padrasto.
Tanto a mãe quanto o padrasto foram presos e encaminhados à Delegacia de Polícia Civil de Uberaba, onde permanecem à disposição da autoridade policial. O Conselho Tutelar foi acionado para acompanhar o caso, que segue sob investigação. A gravidade das lesões e as contradições nas versões fornecidas pelos suspeitos reforçam a suspeita de maus-tratos e violência contra a criança, cuja condição de saúde ainda demanda cuidados especializados.







