O sargento da Polícia Militar de Minas Gerais, Eduardo, é o principal suspeito do homicídio da capitã Michele Leão Azevedo, ocorrido em Belo Horizonte. Investigações revelam que Eduardo já enfrentou acusações de agressão contra uma ex-companheira e descumpriu medidas protetivas em 2016. Os registros policiais indicam que os incidentes envolvem a mesma mulher e evidenciam um padrão de comportamento violento.
Em março de 2016, a ex-companheira de Eduardo relatou à Polícia Militar que, após um relacionamento de sete meses, foi à casa dele para buscar um par de sapatos e o encontrou com outra mulher. A partir desse momento, a situação se agravou. Eduardo teria agredido a mulher, segurando-a pelos cabelos, arrastando-a para a rua e a derrubando ao chão. Quando a vítima tentou se levantar, ele a golpeou no rosto, fazendo-a cair novamente. Além das agressões físicas, Eduardo também a ameaçou, e uma amiga que tentou intervir também foi alvo de ameaças. A mulher conseguiu escapar e foi levada ao Hospital João XXIII, onde foram constatadas lesões no nariz, no joelho direito, nas costas e no ombro.
Em setembro do mesmo ano, a ex-companheira voltou a procurar a polícia, desta vez para denunciar o descumprimento de uma medida protetiva que havia sido emitida contra Eduardo. Mesmo ciente da decisão judicial, ele enviou mensagens ameaçadoras pelo WhatsApp, dirigidas a ela e seus familiares. Em uma das mensagens, Eduardo insinuou que o irmão da mulher, que não estava sob proteção, poderia ser agredido. Em outra, afirmou: “Você quer guerra? Vai ter guerra”. A mulher expressou temor por sua segurança e solicitou intervenção policial.
Recentemente, Eduardo foi detido após levar a capitã Michele, já sem vida, ao Hospital Odilon Behrens. A avaliação médica revelou múltiplas lesões traumáticas, incluindo traumatismo craniano e ferimentos compatíveis com agressões físicas. Segundo o boletim de ocorrência, Michele já apresentava sinais de morte há várias horas quando chegou à unidade de saúde. Eduardo alegou que mantinha um relacionamento com a capitã há cerca de oito anos e que ambos haviam consumido bebidas alcoólicas e ecstasy antes de se envolverem em práticas sexuais que, segundo ele, eram consensuais e incluíam dominação e agressão física.
De acordo com a versão apresentada por Eduardo, Michele teria caído da escada de sua residência, resultando em um corte profundo na cabeça. Ele afirmou que, apesar de ela ter reclamado de tontura, recusou atendimento médico e ambos teriam dormido juntos. Ao acordar, segundo Eduardo, percebeu que Michele não respondia e decidiu levá-la ao hospital. A Polícia Civil investiga as circunstâncias que cercam a morte da capitã, enquanto o advogado de Eduardo, Gustavo Nepomuceno, declarou que está ciente das alegações, mas não se manifestará sobre os fatos sem acesso integral aos autos do processo.









