A delegada da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), Ana Paula Lamego Balbino, teve sua licença médica renovada por mais 30 dias, conforme publicação no Diário Oficial do Estado nesta terça-feira (11). A decisão coincide com o primeiro aniversário da morte do gari Laudemir de Souza Fernandes, vítima de um crime que permanece sob investigação. Ana Paula é esposa de Renê da Silva Nogueira Júnior, réu no processo que apura a autoria do homicídio, e também é alvo de indiciamento por prevaricação e porte ilegal de arma de fogo.
Apesar da publicação oficial nesta terça, a nova licença médica passou a valer a partir do último sábado (8). O afastamento inicial foi concedido em 13 de agosto do ano passado, inicialmente por 60 dias, e desde então foi renovado pelo menos seis vezes, indicando uma continuidade no procedimento de afastamento por motivos de saúde. Segundo dados disponíveis no portal da transparência, Ana Paula continua recebendo remuneração, tendo recebido R$ 17.730,69 em junho, o último mês com informações atualizadas.
A investigação interna conduzida pela Corregedoria da PCMG instaurou um procedimento administrativo para apurar a participação da delegada no homicídio de Laudemir. As apurações indicam que a arma de Ana Paula foi utilizada por seu marido, Renê, no crime ocorrido em 11 de agosto do ano passado. Em nota oficial, a Polícia Civil de Minas Gerais informou que há um processo disciplinar em andamento na Corregedoria-Geral para apurar possíveis transgressões disciplinares, ressaltando que a licença por tratamento de saúde ocorre regularmente, conforme previsão legal e avaliação médica competente.
Ana Paula foi indiciada por prevaricação, crime previsto no Código Penal que ocorre quando um funcionário público retarda ou deixa de praticar um ato de ofício por motivo de interesse próprio ou de terceiros. Além disso, ela responde por porte ilegal de arma de fogo, por ter supostamente cedido ou emprestado sua pistola de uso pessoal ao companheiro, Renê. Investigações revelaram que a delegada tinha conhecimento de que seu marido utilizava a arma dela em outras ocasiões, além de permitir o uso da pistola em diferentes momentos.
O homicídio de Laudemir ocorreu enquanto ele realizava uma coleta no bairro Vista Alegre, na Região Oeste de Belo Horizonte. Após o crime, Renê Júnior foi preso horas depois, no estacionamento de uma academia frequentada pelo suspeito, e posteriormente foi pronunciado em 28 de janeiro de 2026 pelo Tribunal do Júri de Belo Horizonte. A decisão da juíza Ana Carolina Rauen Lopes de Souza determinou que ele seja submetido a júri popular, após constatar provas de materialidade e indícios suficientes de autoria, além de qualificadoras como motivo fútil, perigo comum e uso de recurso que dificultou a defesa da vítima. A magistrada destacou a frieza e a indiferença demonstradas pelo réu diante da gravidade do crime, reforçando a gravidade do caso.








