O Tribunal de Justiça de Minas Gerais decidiu transferir o julgamento de oito homens acusados de envolvimento em uma chacina ocorrida durante uma festa infantil na comarca de Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, para a capital mineira. A mudança do local foi solicitada e aprovada após a acusação alegar que o clima de insegurança e o medo de represálias na cidade poderiam comprometer a imparcialidade e a segurança dos jurados sorteados para o processo.
A sessão do Tribunal do Júri, inicialmente prevista para o dia 13 de abril de 2026, precisou ser suspensa devido a episódios de tensão e violência nas dependências do fórum de Ribeirão das Neves. Segundo relatos do processo, ocorreram atos de hostilidade, ameaças e até início de confronto físico nas áreas externas do fórum, o que levou às autoridades a reforçar a segurança com escolta policial para proteger os envolvidos, incluindo defensores públicos e acusados.
A decisão judicial também levou em consideração o temor manifestado pelos jurados locais, evidenciado pelo elevado número de pedidos de desistência de participação no júri e pelo nervosismo de uma das pessoas sorteadas, que chorou ao saber que integraria a lista de votantes. Essa situação reforçou a preocupação de que o ambiente na cidade pudesse influenciar o julgamento de forma indevida.
O crime ocorreu em maio de 2024, quando familiares e amigos comemoravam o aniversário de Heitor Felipe, uma criança de 9 anos, em um espaço de festas no bairro Areias, em Ribeirão das Neves. As celebrações começaram às 9h daquela quinta-feira, dia 23, e se estenderam durante o dia. Por volta das 19h, enquanto os convidados se preparavam para deixar o local, dois homens armados invadiram a festa e começaram a disparar, resultando na morte de três pessoas e ferimentos em outras três.
Heitor Felipe, que celebrava seu nono aniversário, foi atingido por quatro disparos. Ele era atleta de uma escolinha de futebol e tinha o sonho de se tornar jogador profissional. Seu pai, Felipe Júnior Moreira Lima, de 26 anos, foi atingido por 12 tiros e, segundo a Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), seria o principal alvo do ataque. A motivação do crime estaria relacionada a uma disputa de tráfico de drogas na região do Morro Alto, em Vespasiano, envolvendo a vítima.
Entre as vítimas fatais também estão Layza Manuelly de Oliveira, de 11 anos, prima de Heitor, atingida por dois tiros, e uma adolescente de 13 anos, que foi baleada na perna e recebeu alta após atendimento no Hospital Risoleta Neves. A mãe da adolescente, uma mulher de 41 anos, foi atingida por dois tiros nas costas e no quadril, e seu estado de saúde foi considerado grave. Além disso, uma jovem de 19 anos, convidada da festa, também foi atingida por um disparo.
De acordo com a polícia, o ataque foi motivado pela guerra entre facções no Morro Alto, em Vespasiano, com o alvo principal sendo o pai do aniversariante, envolvido na disputa. Os criminosos invadiram o evento e dispararam sem se importar com a presença de crianças e demais convidados, demonstrando total desprezo pela segurança e pelas vidas no local.








