Uma adolescente de 17 anos foi alvo de agressões reiteradas após a invasão da residência em que vive, no Conjunto Palmital, em Santa Luzia, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. O episódio ocorreu na madrugada de domingo (26) e representou o segundo ataque em menos de 24 horas envolvendo o mesmo companheiro, um jovem de 22 anos que já apresentava histórico de violência. De acordo com a polícia, o agressor já havia sido contido anteriormente pela população e acabou detido pela Polícia Militar após o segundo incidente. O episódio também envolveu violência psicológica e perseguição continuada contra a família.
Segundo relato da mãe da vítima, as medidas protetivas concedidas pela Justiça não impediram que o agressor mantivesse o controle sobre a jovem e sobre a casa. A mulher descreveu que a adolescente enfrenta limitações em atividades diárias básicas, como frequentar a escola ou cumprir estágio como jovem aprendiza, devido à perseguição constante do acusado. Em entrevista à Itatiaia, a mãe afirmou: “A minha filha está privada de ir para a escola, não está indo trabalhar como jovem aprendiz porque ele persegue, vigia a gente 24 horas. Ele fica de uma laje vigiando a nossa casa. Já quebrou lá por diversas vezes, essa foi a quarta vez”.
Fim de semana de violência: sequência de ataques e resposta popular
O primeiro ataque ocorreu ainda no sábado (25), na Vila Nova Esperança, quando o homem agrediu a jovem e quebrou o celular dela. Moradores da região intervieram, e o agressor foi espancado pelos presentes. Ele foi socorrido para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) São Benedito. Horas após receber alta médica, ainda no início da madrugada de domingo (26), ele retornou à residência familiar para realizar um novo ataque, fortalecendo a sensação de insegurança na residência.
Ao descrever o momento da invasão, a mãe relatou o desespero típico de quem se sente desprotegido: “Eu acordei no escuro, cheio de pedra caindo. Ele invadiu o portão e saiu quebrando tudo, meu telhado todo. Parecia que estava armado. Eu fiquei desesperada, gritando, os vizinhos é que me acudiram”, disse, abalada pela situação.
Durante o novo ataque, a população voltou a intervir e, novamente, houve agressões ao agressor. Relatórios indicam que houve disparos no local, e o jovem acabou atingido por estilhaços antes da chegada da Polícia Militar. A guarnição conseguiu conter a dispersão e, diante dos fatos, realizou a detenção do suspeito por desobediência à medida protetiva e ameaça. Ele permanece à disposição da Justiça na delegacia de plantão.
Antecedentes e apoio institucional
O histórico de violência envolvendo o agressor não é recente. A mãe afirmou que o rapaz exercia domínio psicológico sobre a jovem, com ameaças diretas a outros membros da casa, agressões a outra filha e promessas de morte direcionadas à própria mãe. Em 1º de julho, a adolescente já havia sido gravemente agredida no Shopping Estação, episódio que mobilizou a rede de apoio à mulher e o CREAS para encaminhar o caso ao Ministério Público. Mesmo com esse conjunto de ações e com apoio institucional voltado à vítima, a família relata que novas abordagens agressivas continuam ocorrendo.
A repetição da violência gera um sentimento de vulnerabilidade e desproteção, mesmo diante de decisões judiciais favoráveis. A mãe resumiu o sofrimento que acompanha o caso desde o início: “A gente não está aguentando mais, já não dá mais. Estou desesperada sem saber o que faço. Minha filha saiu e não sei se volta, porque ele cerca ela nos matos. Ele falou que não vai dar sossego enquanto a gente não sair de lá… e eu não tenho para onde ir”, desabafou, enfatizando a dificuldade de encontrar moradia estável enquanto a situação não é solucionada pelas autoridades competentes.
Até o fechamento deste relatório, o suspeito permanecia à disposição da Justiça na delegacia, enquanto a família busca medidas que assegurem a proteção da adolescente e de demais moradores da residência, diante da sensação persistente de insegurança causada pela violência doméstica.








