Uma das sobreviventes do acidente ocorrido na BR-040, que resultou na morte de dez pessoas em Petrópolis, no Rio de Janeiro, revelou que o motorista do ônibus vinha em alta velocidade desde o início da viagem, realizada na cidade de Belo Horizonte. A testemunha, Maria Luíza Pereira, de 27 anos, que perdeu uma filha de sete anos e uma irmã de 31 anos no acidente, afirmou que, em determinado momento do trajeto, um funcionário da empresa responsável pelo transporte comunicou aos passageiros que o condutor aceleraria para que o grupo pudesse chegar a Copacabana a tempo de assistir ao nascer do sol.
Maria Luíza, que trabalha como diarista na Vila Acaba Mundo, na região Centro-Sul de Belo Horizonte, explicou que aceitou participar da viagem motivada pela presença de familiares. Ela admitiu que inicialmente tinha receio de viajar por rodovias, devido ao medo que sempre teve de viajar de carro ou ônibus. Ainda assim, sua irmã insistiu para que ela participasse do passeio, o que acabou aceitando. A viagem foi feita com os quatro filhos de Maria Luíza, incluindo Lavínia Eduarda, que infelizmente morreu no acidente.
O embarque aconteceu por volta das 21 horas de sábado, 15 de agosto, nas proximidades da Prefeitura de Belo Horizonte. Durante o percurso, Maria Luíza notou que o motorista dirigia em alta velocidade, o que a levou a reclamar com um funcionário da empresa, que acompanhava a viagem, solicitando que o condutor fosse orientado a diminuir a velocidade. Ela também relatou que, ao longo do trajeto, não conseguiu dormir devido à velocidade do veículo, que, segundo ela, aumentava ainda mais após uma parada feita por volta de uma hora da manhã.
Na fase final do percurso, ao se aproximar do Rio de Janeiro, Maria Luíza conta que o ônibus começou a fazer barulhos como se alguma parte estivesse arrastando na pista. Ao olhar pela janela, percebeu que o veículo estava em zigue-zague, o que indicava perda de controle. Ela descreveu que o ônibus saiu da pista, bateu em uma ribanceira e começou a produzir faíscas, enquanto os passageiros gritavam e expressavam o medo de morrer. Nesse momento, ela clamou por Deus, enquanto tentava se proteger do impacto.
O acidente ocorreu na serra, quando o ônibus colidiu com uma ribanceira após um momento de instabilidade na direção. Das 47 pessoas que estavam no coletivo, dez vítimas não resistiram aos ferimentos. Maria Luíza foi socorrida e recebeu alta médica nesta segunda-feira, 17 de agosto. Ela descreveu seus ferimentos, incluindo machucados na testa e no rosto, além de arranhões e um olho roxo, como consequência do impacto.
Em seu relato, Maria Luíza também expressou sua dor pela perda da filha e da irmã, responsabilizando o motorista pela tragédia. Ela afirmou que tentou alertar o condutor, dizendo que crianças estavam sendo transportadas no ônibus, o que reforça a gravidade do episódio. A Polícia Civil do Rio de Janeiro informou que o motorista foi socorrido e encaminhado a uma unidade de saúde após o acidente. Ainda aguarda-se o desdobramento dos procedimentos legais e a avaliação do estado de saúde do condutor, que permanece sob cuidados médicos.









