O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, questionou nesta segunda-feira (26), sem apresentar provas, o resultado da eleição presidencial brasileira realizada no domingo (25). Em entrevista a jornalistas, Trump afirmou que a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva “parece ter sido outra eleição fraudada”, mas declarou que “gosta” do presidente brasileiro e que mantém uma boa relação com ele.
Segundo Trump, os processos eleitorais precisam ser “incontestáveis”. Ao comentar o pleito no Brasil, o presidente americano disse que, em sua avaliação, a eleição “pareceu muito ruim”. A declaração foi a primeira manifestação pública de Trump sobre o resultado da votação brasileira.
Questionado por um repórter se pretendia tomar alguma medida em relação ao Brasil, Trump respondeu que não estava disputando uma eleição no país. “Eu não estou concorrendo no Brasil. Eu estou concorrendo nos EUA”, afirmou.
Apesar da contestação feita pelo presidente americano, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Nunes Marques, reconheceu a vitória de Lula. Na noite de domingo, o ministro informou que telefonou para Lula e para Flávio Bolsonaro (PL) para comunicar oficialmente o resultado do segundo turno da eleição presidencial.
Nunes Marques disse ainda que parabenizou os dois candidatos pelo desempenho obtido nas urnas. Ao comentar a trajetória política de Lula, o presidente do TSE também destacou que o político passou por diferentes períodos da história do Brasil.
Países do Brics parabenizam Lula
Entre os países que reconheceram a vitória de Lula estão África do Sul, China, Índia e Rússia, integrantes do Brics ao lado do Brasil. As manifestações ocorreram após a confirmação do resultado pelo TSE e contrastaram com a declaração de Trump e com a contestação feita por Flávio Bolsonaro.
Em nota, o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, afirmou que a reeleição de Lula deverá produzir efeitos além do território brasileiro. Para o líder sul-africano, o resultado representa uma vitória para o Sul Global e para as forças progressistas em diferentes partes do mundo.
A China também parabenizou Lula e declarou respeito à escolha dos eleitores brasileiros. A manifestação ocorreu quando o governo chinês foi questionado sobre a declaração do senador Flávio Bolsonaro, que afirmou que o resultado do segundo turno seria inválido.
O porta-voz da chancelaria chinesa, Guo Jiakun, disse que Pequim tomou conhecimento do anúncio feito pelo TSE. Segundo ele, a China pretende trabalhar com o Brasil para avançar na construção de uma “comunidade de futuro compartilhado China-Brasil”. Sobre a contestação apresentada por Flávio Bolsonaro, Guo afirmou: “A China respeita a escolha do povo brasileiro”.
O primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, também parabenizou Lula em uma publicação em seu perfil na rede social X. Modi afirmou esperar uma ampliação da parceria entre Índia e Brasil e disse que os dois países devem continuar fortalecendo a cooperação em diferentes áreas.
Na mensagem, o líder indiano defendeu o avanço de prioridades compartilhadas pelo Sul Global e a construção de um mundo mais inclusivo, equitativo e sustentável.
O Kremlin igualmente saudou a reeleição de Lula. O governo russo destacou a contribuição do presidente brasileiro para o fortalecimento das relações bilaterais entre Brasil e Rússia e para o desenvolvimento do Brics.
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que Lula fez muito pelas relações entre os dois países e pelo avanço do grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Peskov acrescentou esperar que essa trajetória de cooperação continue.








