A quatro dias do segundo turno das eleições presidenciais de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enfrenta desafios significativos para superar o senador Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pelo Palácio do Planalto. Entre esses obstáculos estão a transferência de votos de candidatos que ficaram de fora da disputa direta e a mobilização de eleitores que não participaram do primeiro turno, realizado em 4 de outubro.
De acordo com o analista político Bruno Soller, do instituto Real Time Big Data, a maior parte dos votos dos candidatos que não avançaram ao segundo turno tende a migrar para Flávio Bolsonaro. Nesse cenário, Lula precisaria compensar essa perda com o apoio de eleitores que não votaram na primeira rodada, o que torna a tarefa ainda mais desafiadora. No primeiro turno, Flávio Bolsonaro obteve aproximadamente 56,1 milhões de votos, enquanto Lula conquistou cerca de 53,9 milhões, resultando em uma vantagem de aproximadamente 2,2 milhões de votos a favor do senador.
A disputa permanece acirrada. Uma pesquisa divulgada nesta terça-feira, pelo instituto Real Time Big Data, mostra um empate técnico entre os candidatos, com Flávio Bolsonaro numericamente à frente, com 52% dos votos válidos contra 48% de Lula. O levantamento também revela que 93% dos entrevistados já definiram sua preferência, enquanto 7% ainda permanecem indecisos. Esses números reforçam a importância de uma estratégia de mobilização rápida e eficiente por parte de ambos os candidatos.
Os candidatos que não avançaram ao segundo turno somaram, juntos, mais de 9,3 milhões de votos, uma quantidade superior a quatro vezes a diferença de votos entre Flávio e Lula na primeira votação. Entre esses candidatos, Augusto Cury (Avante) liderou o grupo, com 3,4 milhões de votos, seguido por Renan Santos (Missão), com 2,7 milhões, e Ronaldo Caiado (PSD), com 2,6 milhões. Romeu Zema (Novo) recebeu outros 326 mil votos. Segundo Soller, os eleitores de Caiado, Renan Santos e Zema tendem a migrar em maior proporção para Flávio Bolsonaro, enquanto a transferência de votos de Cury deve ser mais equilibrada.
Dados de uma pesquisa da Quaest, divulgada em 14 de outubro, indicam que, entre os eleitores de Caiado, 42% pretendem votar em Flávio Bolsonaro no segundo turno, enquanto 23% apoiam Lula. No grupo que votou em Renan Santos, esses percentuais são de 40% para Flávio e 14% para Lula. Já entre os apoiadores de Augusto Cury, Lula aparece com 34% das intenções de voto, contra 30% de Flávio. Esses números evidenciam a importância da transferência de votos de candidatos derrotados para definir o resultado da eleição.
Para Soller, a vantagem de Flávio Bolsonaro no primeiro turno torna a transferência desses votos especialmente crucial para o desfecho da disputa. “Eu diria que o cenário para o Lula é muito complicado, é muito difícil”, afirmou o analista. Além disso, a abstenção representa um desafio adicional. No primeiro turno, 33,4 milhões de brasileiros deixaram de votar, o que equivale a 21,08% do eleitorado, uma taxa elevada que pode influenciar o resultado final.
Segundo Soller, parte desses eleitores de abstenção poderia alterar a configuração do segundo turno, mas Lula precisaria convencer esses eleitores tanto a comparecer às urnas quanto a votar nele. Dados de eleições anteriores indicam que, em 2022, a abstenção caiu de 20,95% no primeiro turno para 20,59% no segundo, uma redução de apenas 0,36 ponto percentual. Em contrapartida, em outras eleições presidenciais, o movimento foi de aumento na abstenção, o que reforça a imprevisibilidade do comportamento do eleitorado.
A ausência de segundo turno para candidatos a governador em Estados como São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro também preocupa as campanhas, uma vez que a ausência de candidatos estaduais na disputa pode reduzir o incentivo das estruturas políticas locais para mobilizar eleitores. Apesar disso, a disputa pelos votos dos eleitores que não votaram ou votaram em branco ou nulo na primeira rodada permanece acirrada. Uma pesquisa da Quaest divulgada na semana passada aponta que, entre esses eleitores, 43% pretendem votar em Lula no segundo turno, enquanto 38% indicam Flávio Bolsonaro como preferência.
As campanhas de Lula e Flávio intensificaram seus esforços de mobilização na última semana. Os aliados de Lula apostam em atos de rua, viagens e participação de lideranças políticas para conquistar votos, enquanto o PL busca manter o engajamento de seus apoiadores e ampliar a influência do senador entre os eleitores que não votaram nele na primeira rodada. A vitória no próximo domingo dependerá, portanto, da capacidade de ambos de converter votos de candidatos derrotados e de atrair a abstenção, fatores considerados decisivos na definição do resultado final da eleição presidencial de 2026.







