O deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), ex-procurador-geral de Justiça de Alagoas e relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS no Congresso, foi oficialmente anunciado como vice na chapa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Com 55 anos, Gaspar foi escolhido nas últimas horas do prazo regimental, após tentativas frustradas do partido em definir outro nome para a vaga, o que surpreendeu aliados e analistas políticos.
A filiação de Gaspar ao PL ocorreu em março de 2023, após sua saída do União Brasil. Sua atuação na CPMI, que investigou fraudes envolvendo aposentadorias e pensões, destacou-se por uma postura crítica ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No relatório apresentado pela comissão, Gaspar chegou a solicitar o indiciamento de Luis Cláudio Lula da Silva, filho mais velho do presidente, o que gerou repercussão e críticas por parte da base governista. O documento, que acabou sendo rejeitado, relacionou irregularidades investigadas às atuais gestões, embora tenha dado pouco espaço para integrantes do governo anterior, alimentando debates sobre seu conteúdo e intenções.
Antes de ingressar na política, Gaspar construiu uma sólida carreira no Ministério Público de Alagoas, chegando ao cargo de procurador-geral de Justiça. Sua experiência na área jurídica e sua atuação na CPMI elevaram sua projeção dentro do espectro político de direita, tornando-se uma figura de destaque na bancada conservadora.
A escolha de Gaspar para a vice também indica uma mudança na estratégia do senador Flávio Bolsonaro, que inicialmente buscava uma mulher de partido aliado para fortalecer a chapa e ampliar sua captação de votos, especialmente entre o eleitorado feminino. A preferência inicial recaía sobre Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal durante o governo Jair Bolsonaro, mas a ausência de apoio de partidos aliados, como o Republicanos, que decidiu permanecer neutro na disputa presidencial, dificultou essa alternativa.
Outra possibilidade avaliada foi a senadora Tereza Cristina (PP-MS), que chegou a aceitar a possibilidade de integrar a chapa após conversas com aliados de Flávio Bolsonaro. Contudo, o partido PP vetou a aliança, assim como o Republicanos, que também optou por manter postura de neutralidade na eleição de primeiro turno. Como consequência, a chapa de Flávio Bolsonaro, agora composta exclusivamente por nomes do PL, reflete a dificuldade do senador em atrair apoio do centrão para sua candidatura presidencial.
Na véspera da definição, o próprio Flávio Bolsonaro admitiu que a busca por um vice se transformou em uma espécie de “novela”, chegando a afirmar que a decisão poderia ser adiada para o dia 15 de agosto, último prazo para o registro das candidaturas na Justiça Eleitoral. Contudo, horas depois, o PL anunciou a decisão final e convocou a imprensa para comunicar a escolha de Alfredo Gaspar.
A estratégia da campanha de Flávio visa incluir um vice com projeção nacional e capacidade de agregar votos em segmentos considerados estratégicos, como o eleitorado evangélico, o agronegócio e o Nordeste. Além disso, a presença de Gaspar na chapa reflete também uma tentativa de fortalecer a candidatura do senador, embora a composição atual indique dificuldades em formar alianças amplas com partidos do centrão, que optaram por manter a neutralidade na disputa presidencial.






