Apoiadores do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), lançaram uma campanha de abaixo-assinado na internet com a meta de alcançar um milhão de assinaturas em apoio à sua atuação. Até este domingo (6), a petição contabilizava mais de 307 mil assinaturas, demonstrando forte mobilização entre os cidadãos que manifestam respaldo às posições do ministro. O texto do documento, disponível na plataforma digital, afirma: “Nós, cidadãos brasileiros signatários deste documento, manifestamos nosso apoio ao Ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. Manifestamos, igualmente, nosso compromisso com o Estado Democrático de Direito, com a independência do Poder Judiciário e com o respeito às instituições previstas na Constituição Federal. Ao assinar, cada signatário declara que sua manifestação é pessoal, voluntária e pacífica.”
A iniciativa ocorre em um momento de destaque na agenda do STF, que também acompanha a liberação, pelo próprio Mendonça, do caso envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Na manhã do domingo, Mendonça autorizou que o processo fosse levado ao plenário da Corte para julgamento, após relatar indícios de uma relação próxima entre Moraes e Vorcaro, conforme apontado por um relatório da Polícia Federal (PF). A decisão, segundo informações da CNN Brasil, foi tomada após a análise de documentos que indicam uma ligação estreita entre o magistrado e o ex-banqueiro, especialmente durante o período em que a instituição financeira dele, o Banco Master, enfrentava uma crise severa.
Com a liberação de Mendonça, a responsabilidade de pautar o caso passa agora ao ministro Edson Fachin, presidente do STF. Ainda não há uma data definida para o julgamento, mas há expectativa de que o plenário decida se será instaurada uma investigação formal contra Moraes. Apesar da autorização de Mendonça, o ministro Fachin deve aguardar as manifestações dos envolvidos, dentro do prazo de cinco dias concedido por ele, antes de definir a pauta do processo.
O relatório da Polícia Federal, divulgado na última semana, foi elaborado após análise de dados extraídos do celular de Vorcaro, que revelou trocas de mensagens entre o banqueiro e o ministro Moraes. Entre os pontos destacados, a PF identificou que Vorcaro enviava mensagens para um contato salvo como “Alexandre de Moraes BRASILIA”, além de fazer anotações em seu celular relacionadas a orientações recebidas de pessoas próximas ao Banco Central e ao Ministério Público, como o diretor-geral da instituição, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Segundo Mendonça, a análise do caso pelo colegiado do STF ocorrerá independentemente de manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR). Em despacho divulgado na semana passada, o ministro afirmou que o procedimento será “público e transparente, em sessão presencial”, e que a decisão sobre o andamento do processo será tomada pelo presidente do tribunal, Edson Fachin.
O procedimento foi instaurado após a Polícia Federal encaminhar um relatório contendo mensagens e outros dados relacionados às comunicações entre Vorcaro e Moraes, além de registros de anotações no celular do banqueiro. O documento também aponta que Vorcaro buscava orientação do ministro durante a crise do Banco Master, liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025, em meio a investigações de fraudes bilionárias.
Após a apresentação do relatório, Mendonça determinou que os elementos fossem retirados da investigação inicial e reunidos em uma petição autônoma no STF, além de abrir vista à PGR para manifestação. Em sua decisão, o ministro também determinou o levantamento do sigilo do processo, justificando que o interesse público justificava a tramitação aberta, diante da expectativa de análise pelo plenário da Corte.








