O ministro-chefe da Secretaria-Geral do governo Luiz Inácio Lula da Silva, Guilherme Boulos, classificou como “inexplicável” a ausência de pautas no Senado Federal para a extinção da escala 6×1, uma medida que, segundo ele, é a “prioridade número um” da gestão petista. A declaração foi feita durante uma entrevista à CNN Brasil, realizada na tarde desta quinta-feira, 25 de outubro.
Boulos enfatizou a urgência de aprovar a proposta antes das eleições deste ano, destacando que o governo está empenhado em garantir que a pauta avance no Senado. “Estamos dedicados a essa causa. É um esforço do governo para que consigamos a aprovação antes do pleito. Observamos a tática da oposição e de grandes setores empresariais, que buscam apoio para a medida como uma estratégia eleitoral”, afirmou o ministro.
O chefe da Secretaria-Geral também ressaltou a importância de abordar o tema com transparência, pedindo que aqueles que se opõem à medida deixem claro seu posicionamento. “É crucial que este assunto seja tratado de forma aberta. Quem é contra deve mostrar sua posição”, declarou Boulos.
Durante a entrevista, o ministro não poupou críticas ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, do União Brasil, por ainda não ter pautado a discussão sobre a escala 6×1. Boulos considerou a falta de ação de Alcolumbre como algo incompreensível, especialmente diante do empenho demonstrado pela sociedade em torno do tema. A escala 6×1 refere-se ao regime de trabalho que estabelece seis dias de trabalho seguidos por um dia de folga, e sua revogação é vista como uma medida importante para a melhoria das condições laborais.
Além de abordar a questão da escala 6×1, Boulos também foi questionado sobre a recente polêmica interna no PSOL, envolvendo a deputada federal Érika Hilton e a presidência nacional do partido. Hilton, uma das principais figuras da legenda, expressou descontentamento em relação à distribuição de recursos para a campanha deste ano, afirmando que não recebeu o apoio prometido, mesmo após acordos estabelecidos com a cúpula do partido.
Boulos apoiou a posição de Hilton, afirmando que ela tem razão ao exigir o cumprimento dos acordos. “É correto que ela faça essa cobrança. Há uma regra que é válida tanto na política quanto na vida: acordos devem ser cumpridos. Não podemos comparar a situação dela com o que ocorre em outros partidos, como no PL, pois aqui estamos lidando com uma ruptura dentro da mesma família política, dentro de um clã”, destacou o ministro.
A questão da escala 6×1 e a disputa interna no PSOL refletem tensões políticas que podem impactar a dinâmica eleitoral e a governabilidade, à medida que o país se aproxima das eleições. O desfecho dessas situações será crucial para o futuro do governo Lula e para a unidade do PSOL.








