A campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que se posiciona como pré-candidato à Presidência da República, manifestou descontentamento em relação à decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A medida, que impõe novas restrições ao ex-presidente Jair Bolsonaro, foi classificada pela coordenação da campanha como uma tentativa de “silenciamento” e uma ação ilegal e inconstitucional que interfere no processo eleitoral.
A nota divulgada neste sábado (18) foi assinada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), que coordena a campanha de Flávio. Marinho argumentou que a proibição de Jair Bolsonaro de manter comunicação política durante o período eleitoral reforça a ideia de perseguição contra o ex-presidente e seus apoiadores. Ele ainda comparou a situação atual de Bolsonaro à experiência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que, enquanto estava preso em Curitiba durante a campanha de 2018, recebeu visitas de aliados e divulgou cartas públicas.
A reação da campanha ocorre após a decisão de Moraes, que determinou que Jair Bolsonaro não poderia receber visitas de caráter político enquanto as restrições impostas pelo STF estiverem em vigor. As únicas exceções permitidas são encontros com advogados e profissionais de saúde. O ministro justificou sua decisão ao afirmar que houve descumprimento das medidas cautelares, em referência à divulgação de uma carta escrita por Bolsonaro nas redes sociais, que foi compartilhada pelo filho Flávio.
Além de limitar as visitas, Moraes também enviou o caso ao Ministério Público Eleitoral para investigar se Flávio Bolsonaro cometeu propaganda eleitoral antecipada ao divulgar o conteúdo da carta. O ministro estipulou um prazo para que a defesa de Jair Bolsonaro explique se ele tinha conhecimento prévio sobre a publicação, considerando que uma das medidas cautelares proíbe o uso de redes sociais, tanto de forma direta quanto indireta.
A defesa de Flávio Bolsonaro anunciou que irá recorrer da decisão. Os advogados alegam que o senador está atuando como advogado de seu pai e sustentam que a proibição de contato viola as prerrogativas profissionais asseguradas pelo Estatuto da Advocacia.
Nos bastidores, a decisão de Moraes teve repercussões políticas significativas entre os apoiadores de Bolsonaro. A análise é de que, com Flávio impedido de visitar o pai, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro pode assumir um papel mais proeminente como principal interlocutora de Jair Bolsonaro junto à liderança do PL e na campanha presidencial.
Esses desdobramentos ressaltam a complexidade do cenário eleitoral e a tensão entre os atores políticos, especialmente em um período marcado por restrições e polêmicas judiciais. A situação continua a gerar debates sobre a liberdade de expressão e a dinâmica das campanhas eleitorais no Brasil.








