A uma semana da convenção nacional do Partido Liberal (PL), agendada para o dia 25 de julho, a legenda não chegou a um consenso sobre quem ocupará a vice na chapa presidencial liderada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Esse impasse revela as dificuldades do partido em estabelecer alianças com outros grupos políticos, especialmente do Centrão, e pode resultar em uma convenção sem definição sobre a composição da chapa.
Nos bastidores, Flávio Bolsonaro manifesta preferência pela economista Daniella Marques, que foi presidente da Caixa Econômica Federal no governo de Jair Bolsonaro. Atualmente filiada ao Republicanos, Daniella é responsável pela elaboração do programa econômico da campanha e tem participado de eventos públicos ao lado do senador. Aliados a consideram um nome que pode facilitar o diálogo com o mercado financeiro e ajudar a reduzir a rejeição do candidato entre o eleitorado feminino, especialmente após um desentendimento público com a ex-primeira-dama, Michelle Bolsonaro.
Entretanto, a escolha de Daniella enfrenta desafios tanto internos quanto externos ao PL. Dirigentes da legenda expressam preocupações sobre a experiência eleitoral dela e seu reconhecimento junto ao eleitorado. De acordo com informações da CNN Brasil, membros da direção nacional do partido, incluindo apoiadores do presidente Valdemar Costa Neto, argumentam que o vice deve ser uma figura com maior peso político, capaz de agregar tempo de televisão, estrutura partidária e apoio em palanques estaduais.
Além das dificuldades internas, o PL precisa chegar a um acordo com o Republicanos para que a indicação de Daniella seja viável. As negociações estão emperradas devido a divergências sobre alianças estaduais. Em Mato Grosso, por exemplo, o PL apoia a candidatura do senador Wellington Fagundes ao governo, enquanto o Republicanos defende a reeleição do governador Otaviano Pivetta. Situação semelhante ocorre em Roraima, onde as duas siglas também apresentam discordâncias sobre os palanques locais, complicando um entendimento em nível nacional.
Outro ponto que influencia as discussões é a posição do Republicanos na corrida presidencial. A legenda ainda não decidiu se irá apoiar um candidato ao Palácio do Planalto ou se manterá uma postura neutra, permitindo liberdade aos seus diretórios estaduais.
Antes de buscar uma aliança com o Republicanos, o PL tentou estabelecer uma parceria com a federação União Progressista, composta por União Brasil e PP. No entanto, as conversas perderam força nas últimas semanas devido a desavenças entre as lideranças das siglas e dificuldades para acomodar interesses regionais.
Com a convenção se aproximando, aliados de Flávio Bolsonaro estão se mobilizando para anunciar o vice até o próximo sábado. Caso não consigam um consenso, uma das alternativas em discussão é homologar apenas a candidatura do senador durante a convenção, deixando a definição do vice para os dias seguintes, respeitando o prazo estipulado pela Justiça Eleitoral para o registro das candidaturas.
Nos bastidores, interlocutores da campanha ressaltam que, embora Daniella Marques continue sendo a favorita do senador, a decisão final dependerá menos da preferência pessoal de Flávio e mais da capacidade do PL de transformar a vaga de vice em um ativo que potencialize sua coalizão eleitoral.







