O governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos), utilizou a tribuna do Senado Federal nesta semana para criticar duramente a administração do atual governador do estado, Mateus Simões (PSD). A manifestação ocorreu após declarações de Simões durante a transição de governo, na qual expressou receios quanto à entrega da gestão estadual, e culminou com a promessa de Cleitinho de realizar uma auditoria detalhada em todos os contratos firmados na gestão anterior, como medida para garantir transparência e fiscalizar possíveis irregularidades.
Cleitinho Azevedo, que venceu a eleição estadual no primeiro turno, manifestou sua insatisfação com as declarações de Simões, especialmente ao questionar o preparo do atual governador para assumir o cargo. Em discurso na tribuna do Senado, o futuro chefe do Executivo estadual afirmou que o entendimento de preparo não se limita a diplomas ou conhecimentos intelectuais, mas também inclui humildade e sabedoria. Segundo Cleitinho, essas qualidades estão em falta na gestão de Simões, que, na sua visão, demonstra insegurança e falta de maturidade ao tratar da transição de poder.
Durante sua fala, Cleitinho também contestou as informações divulgadas pela gestão atual acerca da situação fiscal de Minas Gerais. Ele questionou a alegação de que o estado deixaria um déficit de quase R$ 10 bilhões e que não haveria recursos suficientes para pagar os salários dos servidores em janeiro de 2027. O político sugeriu que houve uma mudança no diagnóstico das contas públicas, observando que, até o período eleitoral, a situação financeira do estado era considerada estável, e que a narrativa de crise veio apenas após a vitória de seu partido na eleição.
Após o pronunciamento, Cleitinho passou mal e foi atendido por uma equipe médica. O boletim divulgado posteriormente revelou que o senador apresentou pico de pressão arterial e frequência cardíaca, sendo orientado a repousar. O episódio ocorreu em meio às tensões políticas geradas pelo discurso.
Ao longo do período de campanha, Cleitinho e Mateus Simões trocaram críticas públicas. O atual governador acusava o então candidato de estar despreparado para administrar Minas Gerais, enquanto Cleitinho cobrava de Simões mais humildade e transparência na condução do processo de transição.
Como uma de suas primeiras ações após assumir o governo em 6 de janeiro, Cleitinho anunciou a intenção de revisar todos os contratos vigentes na administração pública estadual. A meta é promover maior transparência, com auditorias específicas nas obras e contratos do estado, incluindo a investigação de casos de corrupção, como a prisão de uma servidora do Departamento de Estradas de Rodagem (DER) por suspeita de propina.
Em resposta às críticas, a equipe de Simões enviou nota oficial reafirmando o compromisso do atual governo com a transparência e a responsabilidade fiscal. A nota destaca que o processo de transição foi iniciado de forma transparente e que todas as etapas estão sendo conduzidas em conformidade com as exigências legais, incluindo publicações no Diário Oficial de Minas Gerais e transmissões ao vivo das reuniões entre as equipes de transição.
A gestão atual também reforçou que a situação fiscal do estado foi herdada em 2019 do governo anterior, liderado por Romeu Zema (Novo), de quem Simões foi vice-governador até o início de 2026. Segundo a nota, medidas de contenção de gastos e aumento de receitas adotadas desde então permitiram o equilíbrio das contas públicas nos últimos anos, com uma redução significativa no comprometimento da Receita Corrente Líquida (RCL) com despesas de pessoal, que caiu de 66,65% em 2018 para 48,80% atualmente.
A nota também esclarece que o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA 2027) é uma previsão, sujeita a ajustes pelo próximo governo. Destaca ainda que, apesar de um superávit de R$ 1,108 bilhão em 2025, a previsão de déficit de R$ 8,6 bilhões no mesmo período foi superada, demonstrando a capacidade de gestão do atual governo. Por fim, informa que o pagamento do salário de dezembro de 2026, referente a janeiro de 2027, será efetuado até 6 de janeiro, assim como o pagamento integral do 13º salário, previsto para ser realizado ainda em 2026, mantendo a regularidade no pagamento dos servidores públicos estaduais.








