Uma inspeção realizada pela Comissão de Cultura da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) na manhã desta quinta-feira, 2 de novembro, revelou a falta de uma parte significativa do mobiliário e do acervo histórico do Palácio das Mangabeiras, que foi a residência oficial dos governadores do estado. Durante a visita técnica, os parlamentares encontraram apenas uma mesa de centro, duas poltronas, um sofá e um piano no local.
O objetivo da visita, que incluiu uma reunião na sede da Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemge), foi investigar o destino de centenas de itens, entre os quais obras de arte, utensílios e móveis que compunham o acervo do palácio. O deputado Leleco Pimentel (PT), autor do requerimento que originou a visita, destacou a importância da iniciativa para esclarecer o paradeiro do patrimônio público, especialmente após a mudança de finalidade do prédio.
Inaugurado em 1955, o Palácio das Mangabeiras foi a residência de 17 governadores mineiros ao longo de sua história. Em 2019, o imóvel deixou de ser utilizado como moradia oficial e passou a ser administrado pela Codemge, com foco em atividades culturais e turísticas. Atualmente, o espaço é gerido por uma Sociedade de Propósito Específico (SPE) e é utilizado para a realização de eventos tanto públicos quanto privados.
Durante a visita, João Grilo, representante da gestão atual do Palácio, informou aos membros da comissão que, em 2019, a maior parte dos bens, incluindo talheres, louças e enxovais, já havia sido retirada do local. Na ocasião, apenas os lustres e a mesa do governador permaneciam no imóvel, mas esses itens também foram removidos posteriormente.
O deputado Leleco Pimentel levantou preocupações sobre a descaracterização da estrutura do palácio, mencionando o desmonte da cozinha e da antiga sala de cinema, que foi projetada durante o governo de Juscelino Kubitschek. A atual localização das peças do acervo ainda é desconhecida. Em junho deste ano, o secretário de Estado de Cultura e Turismo, Leônidas José de Oliveira, havia afirmado que 44 obras de arte estavam sob a guarda da Polícia Militar, enquanto outras 187 peças estavam com a Codemge. Contudo, representantes da companhia não confirmaram essas informações durante a visita da comissão.
A Codemge se comprometeu a apresentar um inventário detalhado, juntamente com a documentação referente ao acervo sob sua responsabilidade, à Comissão de Cultura até o dia 16 de julho. A expectativa é que esse levantamento ajude a esclarecer o paradeiro dos itens históricos e contribua para a preservação do patrimônio cultural do estado.








