Parlamentares da base governista estão pressionando o presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União), para que encaminhe a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do Fim da Escala 6×1 à Comissão de Constituição e Justiça antes do recesso parlamentar, que se inicia em breve. A definição do calendário para essa tramitação deve ocorrer na próxima semana. Contudo, alguns membros da base acreditam que apenas uma conversa direta entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Alcolumbre pode efetivamente destravar o processo.
Nos últimos dias, Alcolumbre tem se mostrado relutante em discutir o tema com os parlamentares aliados ao governo. Os autores da PEC, Erika Hilton (PSOL) e Reginaldo Lopes (PT), aguardavam uma reunião com o senador na manhã de quarta-feira, 1º de novembro, mas ele optou por se encontrar apenas com representantes de centrais sindicais. Durante esse encontro, Alcolumbre deixou claro que está incomodado com a pressão que vem recebendo e expressou a opinião de que o prazo de transição de 14 meses estipulado na proposta é excessivamente longo.
Por outro lado, em conversas com empresários, Alcolumbre indicou que um prazo de transição mais extenso poderia ser considerado. Essa postura gera incertezas entre os governistas, que percebem um sinal ambíguo e uma potencial estratégia do senador para atrair Lula para uma conversa, o que poderia evitar um atraso significativo na votação da proposta.
No que diz respeito ao conteúdo da PEC, a base governista acredita que conta com o apoio de Alcolumbre. No entanto, uma variável crucial são os apelos que o presidente do Senado tem recebido de aliados que são candidatos e que desejam a aprovação da proposta antes do mês de outubro. Em relação à forma da PEC, há a possibilidade de que partes do texto sejam suprimidas ou alteradas.
Caso sejam apenas retiradas seções da proposta, Alcolumbre poderá promulgar a PEC assim que for aprovada, ignorando questões que são consideradas essenciais pelo Planalto, como a transição em 14 meses. Se houver modificações substanciais no texto, a proposta terá que retornar à Câmara dos Deputados para nova análise. Entre os membros da base governista, a percepção é de que a segunda alternativa, que envolve a alteração do conteúdo, possui pouca probabilidade de ocorrer.
A situação se revela complexa e cheia de nuances, com o futuro da PEC do Fim da Escala 6×1 dependendo não apenas da articulação política no Congresso, mas também das relações entre os principais protagonistas do governo e do Legislativo. O desenrolar das negociações nas próximas semanas será decisivo para determinar se a proposta conseguirá avançar antes do recesso parlamentar.







