Nesta terça-feira (20), duas propostas de Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) avançaram simultaneamente no Congresso Nacional, refletindo a disputa entre oposição e governo na fase final da campanha eleitoral. Uma delas, apresentada pela oposição, visa investigar a atuação da lobista Roberta Luchsinger e de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha. Essa proposta já atingiu o número mínimo de assinaturas de senadores necessário para sua instalação, enquanto a outra, articulada pela bancada do PT, busca apurar denúncias envolvendo o senador Flávio Bolsonaro, o banco Master, o financiamento do filme Dark Horse, além de possíveis conexões com fraudes no INSS. Apesar de ainda não terem atingido o número de assinaturas necessárias, ambas as propostas representam movimentos importantes no cenário político atual.
A CPMI da oposição, de autoria da deputada Coronel Fernanda (PL-MT), conta atualmente com 32 assinaturas de senadores, superando as 27 exigidas pelo regimento do Senado para sua instalação. Contudo, na Câmara dos Deputados, a mesma proposta possui apenas 59 assinaturas, enquanto o mínimo necessário para protocolar o requerimento é de 171. Essa disparidade evidencia o desafio de consolidar apoio em ambas as Casas legislativas para a criação da comissão. Apesar do apoio ainda insuficiente na Câmara, a iniciativa da oposição tem recebido sinalizações positivas de parlamentares governistas, incluindo o ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães. Ele afirmou que o governo não criará obstáculos à investigação e orientará sua base a assinar o requerimento, reforçando o compromisso do Executivo com a transparência, ética e combate à corrupção.
Em resposta ao avanço da CPMI da oposição, a bancada do PT anunciou nesta terça-feira um pedido de criação de uma CPMI própria, com foco em suspeitas envolvendo o atuação de Flávio Bolsonaro, o banco Master, o financiamento do filme Dark Horse, além de possíveis ligações com fraudes no INSS. Durante coletiva na Câmara, o deputado Pedro Uczai (PT-SC) afirmou que a iniciativa busca garantir isonomia nas investigações e destacou que o partido decidiu apoiar a CPMI da oposição para demonstrar que não teme apurações. Segundo Uczai, se a oposição defende a transparência ao investigar pessoas ligadas ao presidente Lula, também deve apoiar investigações relacionadas a denúncias envolvendo Flávio Bolsonaro.
Até o momento, a proposta do PT conta com 85 assinaturas de deputados e 15 de senadores, números que representam mais da metade do apoio necessário em ambas as Casas, mas ainda insuficientes para a instalação formal da CPMI. Para sua criação, são exigidas 171 assinaturas de deputados e 27 de senadores. Como se trata de uma CPMI, os requerimentos de ambas as propostas precisam atingir simultaneamente o número mínimo de assinaturas na Câmara e no Senado para que possam ser lidos em sessão do Congresso Nacional e oficialmente instaurados. Sem esse cumprimento, nenhuma das duas propostas poderá avançar para análise ou instalação, mantendo o impasse político até que os requisitos sejam atendidos.








