O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) lançou críticas contundentes ao deputado Zé Trovão (PL-SC) nesta quinta-feira (9), acirrando as tensões entre os apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Em um vídeo divulgado em suas redes sociais, Eduardo expressou que o partido provavelmente não tomará medidas disciplinares contra Trovão, mas instou os eleitores a se manifestarem: “O partido muito provavelmente não tomará nenhuma atitude. Mas você, eleitor, pode tomar.”
Eduardo também acusou Zé Trovão de agir de maneira contrária aos interesses de Bolsonaro, apesar de se apresentar como um defensor da direita. Ele afirmou: “Porque é cheio de filha da puta que fica traindo o Bolsonaro a todo momento, se fantasiando de direita.” O ex-deputado licenciado mencionou que possui informações adicionais sobre Trovão, mas optou por não aprofundar os ataques neste momento, alegando a busca por uma possível pacificação: “Se continuar falando merda, eu tenho mais coisa para falar de Zé Trovão. Mas vou ficar quieto aqui em nome da possibilidade de pacificação.”
A polêmica teve início após Zé Trovão fazer comentários durante sua participação no Quintow Podcast. Ao ser questionado sobre o silêncio de Jair Bolsonaro após a derrota nas eleições presidenciais de 2022, Trovão afirmou que o ex-presidente errou ao não orientar seus apoiadores sobre o que fazer após o resultado das urnas. “O presidente Bolsonaro errou. Aquilo ali, para mim, não foi certo”, disse. Ele ainda sugeriu que Bolsonaro deveria ter encerrado as manifestações logo após a derrota: “Perdeu as eleições, tinha que ter mandado todo mundo para casa. Vai para casa, acabou.” Trovão argumentou que tal decisão poderia ter evitado parte das prisões relacionadas aos atos de 8 de janeiro, afirmando que agora precisa gastar seu tempo político tentando libertar essas pessoas.
Apesar das críticas, Zé Trovão fez questão de reconhecer o ex-presidente como “o melhor presidente que o Brasil já teve”. As declarações rapidamente repercutiram entre os filhos de Bolsonaro. O vereador Jair Renan Bolsonaro (PL-SC) foi um dos primeiros a reagir, classificando a postura de Trovão como “canalhice” e o chamando de “aproveitador”.
A partir daí, Eduardo Bolsonaro intensificou as críticas ao deputado nas redes sociais, compartilhando manifestações de aliados do bolsonarismo, incluindo o influenciador Paulo Figueiredo. Em uma de suas postagens, Eduardo relembrou o período em que Zé Trovão esteve foragido no México, após ter uma ordem de prisão decretada pelo Supremo Tribunal Federal, e destacou que Bolsonaro o ajudou naquele momento.
Diante da repercussão negativa, Zé Trovão publicou um vídeo em que afirmou que suas declarações foram mal interpretadas e negou ter chamado Jair Bolsonaro de covarde. “Uma fala tirada de contexto foi colocada como se eu estivesse chamando o presidente Bolsonaro de covarde”, esclareceu. Ele reafirmou sua lealdade ao ex-presidente, destacando: “Eu nunca chamei o meu presidente de covarde. Nunca faria isso. Muito pelo contrário. É um dos homens mais honrados que não merecia estar passando pelo que está passando.”
Zé Trovão enfatizou que sempre manteve uma relação de respeito com Bolsonaro, embora considere legítimo criticar quando necessário: “Eu sempre tive posições claras e firmes. Não tenho político de estimação. Quando tenho que criticar, critico.” A crise entre os bolsonaristas, evidenciada por essa troca de acusações, reflete as divisões internas que surgiram após a derrota nas eleições de 2022 e a contínua luta por espaço e influência dentro do grupo político.









