A questão do aumento de tarifas que os Estados Unidos pretendem impor sobre produtos brasileiros se tornou um tema central na pré-campanha presidencial no Brasil. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato ao Planalto, chamando-o de “traidor da pátria”. Em contrapartida, Flávio Bolsonaro argumenta que o governo federal está utilizando o impasse comercial como uma estratégia política para as eleições de outubro.
O embate teve início após Flávio enviar uma carta ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), solicitando a suspensão da tarifa de 25% por um período de 180 dias. O senador justifica que essa pausa se alinha ao calendário eleitoral e que a implementação imediata da tarifa resultaria em uma “vitória política” para o governo Lula.
Em suas redes sociais, Flávio Bolsonaro reiterou seu pedido para o adiamento das tarifas, responsabilizando Lula por querer a aplicação do tarifaço e, segundo ele, por tentar transformar a possível penalização das empresas brasileiras em uma narrativa de defesa da soberania nacional. “Ele fez isso acreditando que pode transformar as possibilidades das empresas brasileiras em uma falsa narrativa de ‘defesa da soberania’. Lula está se lixando para o Brasil. Ele faz qualquer coisa para tentar se reeleger”, declarou o senador.
Flávio também destacou seu compromisso em defender o sistema de pagamentos instantâneos, o PIX, criado durante o governo Bolsonaro, e se posicionou contra a taxação dos produtos brasileiros e o tráfico de drogas. “Eu luto contra os narcoterroristas, trabalho de verdade contra as tarifas e vou defender sempre o nosso PIX, que é brasileiro, sem taxa, e ninguém mexe”, afirmou.
A resposta de Lula não tardou a chegar. O presidente considerou a iniciativa de Flávio como uma tentativa de submeter o Brasil aos interesses dos Estados Unidos. Em suas redes sociais, Lula lembrou que a família Bolsonaro já havia manifestado apoio ao tarifaço, reafirmando que “o Brasil não está à venda”. Ele acusou Flávio de “entreguismo” e criticou a proposta de adiar a tarifa para após as eleições. “Pedir que o tarifaço contra o nosso país seja adiado para depois das eleições é mais uma atitude de traidores da Pátria. Nunca houve e não há qualquer justificativa para tarifaço agora ou depois”, declarou o presidente.
Essa troca de acusações ocorre em um momento em que Flávio Bolsonaro está prestes a participar de uma audiência pública da Comissão de Comércio Internacional dos Estados Unidos, em Washington. O senador está entre os convidados para discutir a investigação comercial que os EUA abriram contra o Brasil, alegando que o país pratica relações de comércio “desleais”.
Nos bastidores das campanhas, o tema das tarifas já é considerado um dos principais eixos da disputa presidencial. O governo busca associar a oposição ao agravamento da crise comercial, enquanto aliados de Flávio tentam convencer os Estados Unidos a adiar qualquer decisão sobre as tarifas até após as eleições, argumentando que um eventual tarifaço beneficiaria a narrativa de Lula.








