Eleitoras com mais de 100 anos compareceram às urnas neste domingo (25/10), durante o segundo turno da disputa presidencial entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Os relatos de idosas que fizeram questão de votar ganharam destaque em meio à discussão sobre a abstenção registrada no primeiro turno, quando 33,4 milhões de eleitores aptos não compareceram aos locais de votação.
No Paraná, Theonilia Girão, de 105 anos, afirmou que decidiu votar por estar lúcida e ter sido liberada pelo médico. Ao deixar o colégio eleitoral, ela classificou a participação como um dever e também como uma forma de incentivar outros eleitores.
“Vim votar porque eu estou lúcida e o médico me liberou. Então, eu vim cumprir meu dever e para dar exemplo para todo mundo”, disse Theonilia.
A presença da eleitora paranaense ocorreu em uma eleição marcada pela mobilização dos brasileiros para o segundo turno. Embora o voto seja facultativo para pessoas com 70 anos ou mais, Theonilia optou por comparecer à seção eleitoral e participar da escolha para a Presidência da República.
Eleitora de 100 anos vota em Barbalha
Em Barbalha, no Ceará, a aposentada Maria Edite Barreto Limeira, de 100 anos, também foi às urnas. Conhecida como Dona Edite, ela compareceu acompanhada de um familiar e exerceu o direito ao voto no segundo turno.
A aposentada não havia votado na primeira etapa da eleição, realizada em 4 de outubro. Na ocasião, o calor intenso e as longas filas registradas no dia fizeram com que ela não comparecesse ao local de votação. Na região, a abstenção no primeiro turno foi de 16,44%.
O retorno de Dona Edite às urnas no segundo turno ocorreu, portanto, depois de uma ausência motivada pelas condições enfrentadas no dia da primeira votação. A participação dela se somou à de outras eleitoras centenárias que decidiram manter o compromisso com o processo eleitoral, mesmo com o voto facultativo para a faixa etária.
Idosa de 106 anos vota em Caxias do Sul
Em Caxias do Sul, na Serra Gaúcha, Olga Zanella, de 106 anos, enfrentou o frio das primeiras horas deste domingo (25/10) para votar. Segundo ela, a participação nas eleições é uma prática que mantém há muitos anos e que considera importante.
“Nem me lembro há quanto tempo que eu voto, mas eu sempre venho. Acho uma coisa muito importante”, afirmou Olga.
Os registros das três eleitoras destacaram a participação de pessoas idosas em uma eleição que teve uma ausência expressiva no primeiro turno. De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mais de 8,77 milhões de eleitores com 70 anos ou mais votaram na primeira etapa do pleito.
O número total de idosos nessa faixa etária que estavam aptos a votar era de 17,25 milhões. Isso significa que a legislação permite que essas pessoas decidam se irão ou não às urnas, sem que a ausência tenha o mesmo caráter obrigatório previsto para eleitores de outras faixas etárias.
Além dos cidadãos com 70 anos ou mais, o voto também é facultativo para pessoas analfabetas e para jovens maiores de 16 e menores de 18 anos. Mesmo sem a obrigatoriedade, as eleitoras centenárias citadas fizeram questão de comparecer e associaram a votação ao exercício da cidadania e ao cumprimento de um dever cívico.







