Uma investigação da Polícia Federal revelou que o empresário Daniel Vorcaro teria financiado a viagem do filho do procurador-geral da República (PGR), Paulo Gonet, para Londres, onde ocorreu um evento do Banco Master em 2025. A informação foi obtida a partir de mensagens apreendidas no celular de Vorcaro, que tiveram o sigilo judicial derrubado nesta terça-feira (1º) pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
De acordo com as mensagens, um interlocutor identificado como Ciro Soares atuou como intermediário entre Vorcaro e Paulo Gonet. No dia 15 de março de 2025, os dois chegaram a enviar uma foto juntos ao empresário, acompanhada da mensagem “liga aqui, ele quer falar com você”. Na sequência, realizaram quatro chamadas telefônicas de diferentes durações: 57 segundos, 27 segundos, 17 segundos e três minutos. Essas comunicações indicam uma tentativa de contato direto entre as partes, possivelmente relacionadas ao evento em Londres.
Semanas após essas conversas, Ciro Soares enviou mensagens que, segundo a investigação, teriam sido enviadas por Gonet. Entre elas, estavam frases de apoio como “Que bom! Estou na torcida por vocês!”, além de mensagens pessoais, como “Já estou com saudades de você! Estou embarcando para Roma” e uma solicitação para que Vorcaro repassasse uma mensagem a alguém, reforçando a proximidade e a relação entre os envolvidos.
Posteriormente, Vorcaro agradeceu as mensagens enviadas por Ciro Soares, que também informou ao empresário que Gonet planejava viajar para Londres com ele e Ciro. No dia seguinte, Ciro questionou Vorcaro se o filho de Gonet, Pedro Gonet, poderia acompanhá-los na viagem, ao que o empresário respondeu de forma afirmativa, reforçando a possibilidade de participação do jovem na viagem financiada pelo banco.
No dia 11 de abril, uma funcionária de Vorcaro questionou o banqueiro sobre a aprovação dos nomes para a viagem a Londres, com despesas pagas pelo Banco Master. Vorcaro afirmou que discordava da lista, mas destacou que Pedro Gonet e Ciro Soares tinham o seu aval, indicando uma possível influência na decisão.
A investigação aponta que Vorcaro teria montado uma rede de monitoramento e influência em diversas instituições públicas, o que lhe permitiria obter informações sigilosas. Segundo a decisão do ministro André Mendonça, essas ações poderiam orientar estratégias nas negociações econômicas envolvendo o Banco Master, além de potencialmente servir como base para planos de fuga em caso de insucesso na empreitada ilícita ou de descoberta por parte das autoridades.
As análises da Polícia Federal também indicam que Vorcaro teria tido acesso antecipado a procedimentos investigatórios e apurações em andamento na 10ª Vara Federal do Distrito Federal e na diretoria do Banco Central (BACEN). Essas informações teriam sido utilizadas para tentar influenciar decisões das autoridades responsáveis pelas investigações.
Na mesma decisão, Mendonça determinou que o caso seja analisado de forma presencial e pública pelo Plenário do STF, em data ainda a ser definida pelo presidente da Corte, Edson Fachin. A medida reforça a gravidade das suspeitas envolvendo a suposta influência de Vorcaro sobre instituições e autoridades públicas, além do potencial impacto nas investigações em curso.









