Um relatório de inteligência financeira utilizado pela Polícia Federal na investigação que apura o financiamento do longa-metragem Dark Horse aponta que o ex-marqueteiro da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), Marcello de Oliveira Lopes, realizou uma transferência de R$ 1 milhão para a produtora Go Up Entertainment. A movimentação financeira foi identificada entre as principais operações nas contas da empresa, ocorridas nos meses de novembro e dezembro de 2025, período em que a produtora movimentou aproximadamente R$ 19 milhões, incluindo créditos e débitos, conforme consta no documento citado na decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal, Flávio Dino, que autorizou a operação policial nesta quinta-feira (10).
Apesar de mencionar a transferência, o relatório não aponta irregularidades na operação realizada por Lopes, tampouco revela a origem dos recursos ou o objetivo específico do repasse. Além disso, o publicitário não figura entre os investigados na ação da Polícia Federal, que busca esclarecer a origem do financiamento do filme inspirado na trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Em nota oficial, Marcello Lopes afirmou que o valor transferido corresponde a um investimento privado na produção do filme Dark Horse. Segundo ele, o aporte foi realizado com recursos próprios, de forma regular e formalizada, caracterizando-se como uma operação de natureza empresarial. Lopes também declarou estar à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos adicionais, reforçando que a transação ocorreu de maneira legal e transparente.
A investigação conduzida pela Polícia Federal tem como foco apurar a origem dos recursos utilizados para financiar o longa-metragem, que retrata aspectos da trajetória política de Jair Bolsonaro. A operação policial cumpriu um total de 49 mandados de busca e apreensão, direcionados a pessoas ligadas ao projeto. Entre os alvos estão a produtora Karina Gama e o deputado federal Mário Frias (PL-SP), ambos envolvidos na produção do filme.
Marcello Lopes deixou a equipe de campanha de Flávio Bolsonaro em maio deste ano, após a divulgação de áudios nos quais o próprio candidato solicita recursos ao empresário Daniel Vorcaro para financiar a produção cinematográfica. Apesar das movimentações financeiras relacionadas ao filme, Flávio Bolsonaro não é mencionado no relatório da Polícia Federal que fundamenta a operação, o que reforça a ausência de ligação direta do senador com as transações investigadas.
A investigação continua em andamento, buscando esclarecer a origem dos recursos e possíveis irregularidades no financiamento do filme Dark Horse, cuja produção tem sido alvo de atenção devido às suas implicações políticas e financeiras.








