A Polícia Federal (PF) revelou, por meio de relatório citado na decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino, que o deputado federal Mário Frias (PL) é suspeito de integrar uma organização criminosa responsável por desviar recursos públicos destinados à produção do filme “Dark Horse”, uma cinebiografia que retrata parte da trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A investigação, que tramita sob a condução do STF, aponta que Frias, que foi secretário de Cultura no governo Bolsonaro e é um dos produtores do filme, teria participação ativa na movimentação irregular de verbas federais.
Segundo o trecho da decisão, as diligências preliminares indicam a possível ocorrência de crimes, especialmente desvios de recursos públicos, praticados por uma organização criminosa que teria Mário Frias como integrante. A investigação aponta que o parlamentar teria direcionado aproximadamente R$ 2 milhões, por intermédio de duas emendas parlamentares, ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidido por Karina Ferreira da Gama. Os recursos também teriam sido repassados às Organizações Sociais Instituto Conhecer Brasil (ICB) e à Academia Nacional de Cultura (ANC), ambas presididas por Karina Ferreira da Gama, que possui vínculos com Frias.
De acordo com o relatório, esses recursos foram utilizados para contratos celebrados de forma fraudulenta, cuja execução não teria atendido às finalidades previstas nos instrumentos contratuais, favorecendo empresas de propriedade de pessoas ligadas aos integrantes da organização criminosa. A Polícia Federal aponta que há claros indícios de favorecimento e desvio de valores, além de direcionamento de contratos a empresas sem comprovação efetiva dos serviços prestados. Essas irregularidades indicam uma tentativa de beneficiar determinados grupos econômicos, utilizando recursos públicos destinados a projetos culturais.
A investigação também revela que a organização criminosa seria composta por agentes públicos e privados, que teriam direcionado as verbas recebidas para empresas contratadas sem comprovação de prestação de serviços, configurando uma prática de corrupção e lavagem de dinheiro. Na decisão, Flávio Dino afirma que os valores repassados por Frias são “materialmente incompatíveis tanto com os rendimentos por ele declarados quanto com os créditos identificados em suas contas bancárias”. Assim, o ministro sustenta que as transações financeiras revelam a participação ativa do parlamentar na engrenagem financeira sob investigação.
Produtora de “Dark Horse” também é alvo de investigação
A produtora responsável pelo filme “Dark Horse”, a Go Up Entertainment, propriedade de Karina Ferreira da Gama, está sob investigação em decorrência do inquérito que apura o financiamento da produção cinematográfica. Karina também é investigada pela Polícia Federal e, na manhã desta quinta-feira (10/9), foi alvo de uma operação de busca e apreensão denominada “Make Up”, que busca esclarecer o suposto desvio de recursos públicos utilizados na realização do filme.
A operação foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, que determinou, ainda, que Mário Frias não deixe o país nem mantenha contato com os demais investigados no inquérito, incluindo Karina Gama. As diligências também envolveram o deputado federal, que foi alvo de buscas, e tiveram o objetivo de esclarecer a origem e a destinação dos recursos utilizados na produção de “Dark Horse”. A investigação busca evidências de irregularidades na aplicação de verbas públicas, além de possíveis crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e fraude.
A decisão do ministro Flávio Dino reforça o caráter investigativo do caso, ressaltando a necessidade de apurar possíveis desvios de recursos públicos utilizados na produção do filme, que tem como foco a narrativa da trajetória de Jair Bolsonaro. A apuração também busca esclarecer se houve favorecimento de empresas e indivíduos ligados aos envolvidos na organização criminosa, além de verificar a compatibilidade dos valores movimentados com os rendimentos declarados pelos suspeitos.








