O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, afirmou nesta quarta-feira (2) que adotará as medidas cabíveis em relação às investigações envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, após a Polícia Federal (PF) divulgar detalhes das investigações. Em nota oficial, Fachin destacou que os indícios de conduta irregular demandam encaminhamento institucional adequado e reforçou que o cargo na Corte não confere privilégios, mas impõe deveres, limites e responsabilidades que devem ser observados com respeito à Constituição, às leis e ao próprio Supremo.
Segundo o ministro, a análise dos fatos revelados na investigação será concluída nos próximos dias, momento em que anunciará as ações necessárias para apuração e eventual responsabilização. A declaração ocorre após o ministro André Mendonça, relator do inquérito conhecido como Caso Master, solicitar ao plenário do STF que decida sobre o procedimento investigativo conduzido pela Polícia Federal.
A investigação, tornada pública por Mendonça na última terça-feira (1º), aponta que Moraes teria editado um contrato de R$ 131 milhões com o escritório de advocacia Barci de Moraes, cuja sócia-diretora é Viviane Barci, esposa do próprio ministro. A banca confirmou que Moraes foi consultado, na condição de marido da sócia, sobre possíveis impedimentos legais para a contratação, e que, uma vez constatada a ausência de impedimentos e de qualquer causa que pudesse gerar conflito de interesses, o contrato foi formalizado e os serviços advocatícios foram prestados normalmente.
As mensagens apreendidas nas investigações revelam uma relação próxima entre Moraes e Vorcaro, incluindo pelo menos seis encontros ocorridos entre 2024 e 2025, em locais como Europa e Campos do Jordão. Além disso, o Banco Master, controlado por Vorcaro, teria emitido cartões de crédito com limites de até R$ 300 mil para os filhos do ministro e de sua esposa. Há também registros de que Moraes foi consultado por Vorcaro dois dias antes de sua prisão, ocorrida em novembro do ano passado.
A Polícia Federal aponta que Vorcaro teria montado uma rede de monitoramento e influência em diversas instituições públicas, o que lhe permitiria obter informações sigilosas relevantes para seus interesses. Essas informações, segundo o ministro André Mendonça, poderiam ser utilizadas para orientar estratégias de negociações econômicas do Banco Master, além de possivelmente facilitar uma fuga em caso de insucesso na operação ou da descoberta de suas atividades ilícitas.
Na decisão que removeu o sigilo do inquérito, Mendonça destacou a gravidade das evidências e a necessidade de que o Supremo Tribunal Federal tome providências para garantir a integridade do processo e a confiança nas instituições. Fachin, por sua vez, reforçou que, apesar da autoridade do cargo, a atuação deve ser pautada pelo respeito às normas constitucionais e legais, prometendo tomar as devidas medidas nos próximos dias após a conclusão da análise dos fatos revelados pela Polícia Federal.








