O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) manifestou, nesta sexta-feira (10), sua preocupação com a possibilidade de uma nova sobretaxa sobre as exportações brasileiras de carne bovina para a China, atribuindo essa situação ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo o parlamentar, os embarques que superarem a cota anual de importação estipulada pelo governo chinês poderão enfrentar uma taxação de até 55%. Com a tarifa de 12% que já incide sobre as exportações dentro da cota, o total pode chegar a 67% sobre o volume excedente.
Em um vídeo divulgado em suas redes sociais, Flávio Bolsonaro criticou a administração federal e rechaçou as alegações de que teria contribuído para a imposição de tarifas pelos Estados Unidos. “Será que o Lula também vai dizer que eu sou responsável pelas tarifas da China?”, questionou o senador, reafirmando seu compromisso de lutar contra tarifas de qualquer nação.
A declaração do senador ocorre em um contexto em que ele participou, no início da semana, de uma audiência pública promovida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), em Washington. Durante a audiência, foram discutidas propostas do ex-presidente Donald Trump para a aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. Flávio defendeu que essa medida fosse postergada até após as eleições, o que gerou críticas e levou opositores a apelidarem o parlamentar de “Tariflávio”. Ele, por sua vez, tem tentado se distanciar dessa associação.
As tarifas mencionadas por Flávio estão ligadas ao sistema de cotas adotado pela China, que visa proteger sua produção interna de carne bovina. De acordo com um levantamento da consultoria StoneX, divulgado na última segunda-feira (6), o Brasil já havia utilizado 98,5% da cota anual de importação da China até junho, que totaliza 1,106 milhão de toneladas. Dentro desse limite, a tarifa aplicada é de 12%; ao ultrapassar esse teto, a sobretaxa de 55% se torna aplicável.
Entre janeiro e junho deste ano, o Brasil exportou aproximadamente 1,5 milhão de toneladas de carne bovina, um aumento de 16% em comparação ao mesmo período de 2022. A StoneX atribui esse crescimento à antecipação dos embarques por parte dos exportadores, que buscaram assegurar que seus produtos fossem enviados dentro da cota, considerando que o processo de internalização da carne na China pode levar entre 45 e 60 dias.
Com o esgotamento da cota, a consultoria projeta uma redução acentuada das exportações brasileiras para a China no terceiro trimestre. Juliana Torres Santiago, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, afirmou que o principal efeito dessa situação será o aumento da oferta de carne no mercado interno ou a redirecionamento da produção para outros países compradores. “Os próximos meses devem ser marcados por um ajuste nas exportações brasileiras e pela redistribuição da oferta entre o mercado interno e outros destinos. Contudo, a expectativa de retoma das compras chinesas a partir da nova cota mantém o país como o principal vetor de demanda para a carne bovina brasileira”, concluiu a analista.
A StoneX ressalta que o esgotamento da cota não é resultado de falhas nas negociações do governo brasileiro, mas sim de uma dinâmica de mercado, na qual os exportadores anteciparam os embarques para aproveitar o limite anual de importação estabelecido pela China.








