O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), derrotado na disputa presidencial, divulgou uma carta na qual se autoproclama presidente eleito do Brasil e questiona a legitimidade da eleição vencida por Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No documento, escrito em primeira pessoa e endereçado ao povo brasileiro e à comunidade internacional, o parlamentar acusa a Justiça Eleitoral de ter favorecido o resultado e afirma que liderará a oposição a partir dos Estados Unidos.
Flávio deixou o Brasil três dias depois do pleito presidencial e desembarcou nos Estados Unidos após passar pela Argentina. Na carta, ele agradece ao presidente argentino, Javier Milei, ao ex-presidente americano Donald Trump e ao povo dos Estados Unidos pela acolhida. Segundo o senador, a permanência no exterior é necessária para preservar a segurança de sua família e permitir que continue atuando politicamente.
A principal contestação apresentada por Flávio está relacionada à decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que prorrogou em duas horas o período de votação no segundo turno. O senador afirma que a medida teria ocorrido depois do encerramento do horário previsto e beneficiado Lula.
Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), citados no documento, indicam que aproximadamente 34 mil votos foram registrados durante a extensão do prazo. Ainda segundo a matéria, Lula venceu Flávio por mais de 4 milhões de votos. Apesar disso, o senador sustenta que a decisão judicial teria permitido uma “impossibilidade matemática” e acusa o petista de ter ampliado em mais de 10 milhões a votação obtida entre o primeiro e o segundo turno.
Na carta, Flávio também afirma que houve abuso de poder político e econômico e uso da máquina pública em favor da campanha de Lula e de seu vice, Geraldo Alckmin. Para o parlamentar, essas supostas irregularidades justificariam a cassação da chapa. As acusações são apresentadas no documento como parte de uma fraude eleitoral, sem que a matéria informe qualquer decisão judicial que reconheça essas alegações.
O senador ainda critica integrantes do Judiciário e afirma que teria sido alvo de perseguição política. Ele menciona medidas como apreensão de passaporte, uso de tornozeleira eletrônica, censura, prisão domiciliar e condenação. Flávio declara que não existe mandado de prisão contra ele e que não cometeu crime, classificando as investigações e eventuais medidas judiciais como uma tentativa de pressioná-lo politicamente.
Ao explicar a saída do país, o senador afirma que não fugiu do Brasil, mas deixou o território nacional para escapar, segundo suas palavras, de um “regime de exceção”. Ele compara sua situação à de figuras históricas que atuaram no exterior contra governos que consideravam autoritários, como Rui Barbosa, Charles de Gaulle e José Martí. Também cita os venezuelanos Juan Guaidó e Edmundo González, além de María Corina Machado, como exemplos de oposição a regimes que considera ditatoriais.
Flávio diz ainda que continuará representando os brasileiros que votaram nele e que pretende liderar a oposição a partir dos Estados Unidos. No texto, menciona senadores, deputados e governadores que teria ajudado a eleger, além de citar o senador Rogério Marinho como seu candidato à Presidência do Senado.
Ao final, o parlamentar afirma que a luta pela democracia, pelos direitos humanos e pela liberdade no Brasil continuará por meios pacíficos e legítimos. Ele pede que seus apoiadores permaneçam firmes e declara que a disputa somente terminará quando o país, em sua avaliação, voltar a ser livre. A carta é encerrada com seu nome e uma bênção ao Brasil.







