O Likud, partido do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, acusou grupos políticos árabes de cometer fraude nas eleições realizadas no país na terça-feira (27). A legenda afirmou, sem apresentar provas até o momento, que teriam ocorrido compra de votos, intimidação de eleitores, violência, falsificação de cédulas e manipulação do processo eleitoral.
Em denúncia divulgada pelo jornal The Jerusalem Post, o partido pediu que a Justiça investigue a atuação dos grupos políticos durante a campanha e no dia da votação. O Likud declarou que pretende encaminhar centenas de depoimentos e documentos à polícia israelense, ao serviço de inteligência interna do país e ao Comitê Central Eleitoral.
“As eleições no Estado de Israel foram roubadas por partidos árabes que apoiam o terrorismo e a destruição do Estado judeu, por meio de crimes graves que envolvem suborno, ameaças, violência, falsificação e uso de programas de computador proibidos para mobilizar eleitores”, afirmou a legenda.
Segundo o Likud, as supostas irregularidades foram identificadas principalmente em seções eleitorais localizadas em comunidades árabes. Entre as acusações apresentadas estão a compra de votos, a intimidação de eleitores e a manipulação de cédulas. O partido também apontou divergências entre o número de envelopes depositados nas urnas e a quantidade de eleitores registrados.
A legenda afirmou ainda que programas de computador proibidos teriam sido usados para mobilizar votantes. No entanto, até o fim da tarde de quarta-feira (28), não haviam sido divulgadas provas que demonstrassem que partidos árabes manipularam de forma sistemática os resultados do pleito.
Eleição ocorre em meio à guerra e à polarização
A votação de terça-feira foi a primeira realizada em Israel desde o ataque do Hamas, em 7 de outubro de 2023, episódio que desencadeou a guerra na Faixa de Gaza. O contexto de conflito, crise social e forte polarização política marcou a disputa.
De acordo com dados da comissão eleitoral, a participação chegou a 44,9% durante a tarde, o maior índice registrado desde 1973. O resultado da eleição definirá se Netanyahu permanecerá no poder. O primeiro-ministro, de 76 anos, responde a um processo por corrupção e é o político que ocupou o cargo por mais tempo em Israel, em diferentes períodos não consecutivos.
As pesquisas mais recentes indicavam empate entre Netanyahu e seu principal adversário, o centrista Gadi Eisenkot. Ex-comandante militar, Eisenkot entrou recentemente na política e é descrito como um nome de perfil moderado.
A popularidade de Netanyahu também foi afetada pelas falhas de segurança que permitiram a entrada de combatentes do Hamas em território israelense. Reportagens do jornal israelense Haaretz e, posteriormente, do New York Times, afirmaram que o primeiro-ministro teria sido alertado pelo emir dos Emirados Árabes Unidos, Mohammad bin Zayed, de que o Hamas planejava uma ação terrorista dias antes do ataque, considerado o mais letal em Israel.
A Itatiaia também publicou reportagem sobre a denúncia envolvendo Netanyahu. As acusações apresentadas pelo Likud ainda dependem de investigação das autoridades israelenses e de comprovação formal para que possam produzir efeitos sobre a validação do resultado eleitoral.








