O anúncio feito nesta quinta-feira, 30 de novembro, pelo governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), de que seu grupo político se desligou da administração estadual, marca uma mudança significativa no cenário eleitoral mineiro. A saída do grupo ligado ao ex-secretário de Governo Marcelo Aro (PP) da gestão do governador pode indicar o desembarque da federação entre o partido Progressista (PP) e o União Brasil na disputa pela reeleição de Simões. Essa movimentação reflete uma reconfiguração das alianças políticas em um momento crucial do calendário eleitoral e pode impactar diretamente a composição das candidaturas ao Governo do Estado.
Em entrevista exclusiva à Itatiaia, Simões afirmou que a decisão de Aro de articular sua própria candidatura ao Governo de Minas foi uma traição ao ex-governador Romeu Zema (Novo) e uma tentativa de parasitar a gestão estadual para promover um projeto pessoal de candidatura. Segundo o governador, a decisão de Marcelo Aro de deixar o cargo e buscar uma vaga na disputa pelo Palácio Tiradentes demonstra uma mudança de postura que prejudica a unidade do grupo político. Simões destacou ainda que essa ruptura pode resultar na perda do tempo de propaganda eleitoral gratuita destinado ao partido União Brasil-PP, que atualmente detém a maior fatia de minutos na televisão e rádio, devido à sua maior representação no Congresso Nacional.
Simões reforçou que, apesar de preferir manter a federação de partidos, não fechou portas para negociações com o União Brasil e o PP. Ele afirmou acreditar na possibilidade de recompor alianças e reforçou que seu compromisso não é conquistar a eleição a qualquer custo, mas sim assegurar um projeto de continuidade que faça sentido para Minas Gerais. Para o governador, a decisão de Marcelo Aro de sair do governo para tentar a candidatura ao Governo demonstra uma priorização de interesses pessoais em detrimento do projeto coletivo que vinha sendo construído desde a reeleição de Romeu Zema, em 2022.
A questão do tempo de propaganda eleitoral é um fator estratégico importante nesta disputa. A legislação eleitoral define a distribuição de minutos de propaganda gratuita na televisão e rádio com base na representação partidária no Congresso Nacional. Nesse critério, a federação chamada “União Progressista” detém o maior tempo de exibição, o que reforça a importância de alianças sólidas na campanha.
Desde o início do processo eleitoral, Simões buscava formar um amplo arco de alianças, mas enfrentou dificuldades à medida que principais legendas aliadas se descolaram antes do início oficial das campanhas. Marcelo Aro, que foi chefe da Casa Civil e da Secretaria de Governo no governo Zema, tinha uma influência significativa na política estadual, comandando um grupo expressivo de deputados e vereadores e mantendo forte presença em diversos municípios. Inicialmente, Aro era considerado um dos principais nomes na chapa de reeleição de Simões, com a intenção de disputar uma vaga ao Senado na mesma chapa.
No entanto, o alinhamento entre os dois começou a se enfraquecer em abril de 2023, após a filiação do senador Carlos Viana ao PSD, que também busca a reeleição ao Senado e passou a integrar a chapa de candidatos a governador e vice de Simões. Aro manifestou descontentamento com essa mudança, que o deixou em posição de discordância em relação à estratégia do grupo.
Nos últimos meses, Marcelo Aro vem articulando sua própria candidatura ao Governo de Minas, o que o coloca em disputa direta com Simões e pode gerar desdobramentos nos planos de outros partidos, como o PL e o Republicanos, que ainda não decidiram se lançarão candidatos próprios ao Palácio Tiradentes. A influência de Aro no cenário político estadual, especialmente por sua liderança de um grupo expressivo de parlamentares e sua atuação em diversos municípios, torna sua decisão de disputar a eleição uma peça-chave na configuração do quadro eleitoral mineiro.
A reportagem entrou em contato com Marcelo Aro para obter sua posição oficial, mas até o momento ele não se manifestou oficialmente, mantendo o espaço aberto para uma resposta futura. A movimentação de Aro e a possível ruptura com o grupo de Simões representam uma mudança de peso na disputa eleitoral de Minas Gerais, que promete ser bastante acirrada e marcada por disputas internas e reconfigurações de alianças.






