O Grupo SHC, responsável pela operação da marca chinesa Jac Motors no Brasil e liderado pelo empresário Sérgio Habib, entrou com um novo pedido de recuperação judicial, desta vez com o objetivo de se proteger de credores diante de uma dívida que totaliza aproximadamente R$ 239,5 milhões. A medida foi protocolada após um período de cerca de um ano e cinco meses desde o encerramento da primeira recuperação judicial do grupo, ocorrida em 2022. Durante esse intervalo, Habib tentou, sem sucesso, evitar execuções judiciais relacionadas às dívidas acumuladas, conforme apurado pela coluna.
Credores que obtiveram decisões favoráveis na Justiça enfrentam dificuldades para recuperar seus créditos, já que as tentativas de bloqueio de valores nas contas bancárias de Sérgio Habib e de sua esposa, Sandra Habib, não tiveram sucesso há anos. Apesar de manter uma imagem de empresário de sucesso nas redes sociais, com centenas de milhares de seguidores, Sérgio Habib acumula uma série de dívidas relacionadas à operação da Jac Motors, incluindo débitos com fornecedores, funcionários e despesas de aluguéis de imóveis utilizados para instalação de concessionárias em diferentes regiões do país.
O casal Habib é alvo de controvérsias envolvendo seu estilo de vida. Enquanto ostentam uma rotina de viagens internacionais e uma vida de luxo, documentos anexados a processos judiciais revelam detalhes de dívidas e negociações financeiras. Entre os bens do casal, destaca-se a venda de uma mansão localizada em Trancoso, no sul da Bahia, avaliada em R$ 300 milhões. A propriedade, de aproximadamente 40 mil metros quadrados, possui 12 suítes e cinco bangalôs, e foi vendida ao banqueiro Daniel Vorcaro, em uma transação que chamou atenção pelo valor elevado e pelo luxo do imóvel.
No âmbito judicial, Sérgio e Sandra figuram como fiadores de um contrato firmado por uma concessionária da Citroën, que envolve uma dívida estimada em R$ 2,5 milhões. Essa execução tramita desde 2018, e os advogados do casal alegam que houve fraude à execução na venda da mansão de Trancoso, ocorrida enquanto a ação judicial já estava em andamento. Segundo os defensores, a transação deveria ser considerada inválida por ter sido realizada com o objetivo de ocultar bens diante de uma dívida judicial, o que justifica a solicitação de medidas como a apreensão da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e do passaporte do casal.
A tentativa de recuperação judicial do Grupo SHC reflete o momento de dificuldades financeiras enfrentadas pelo grupo, que há anos tenta equilibrar suas operações frente às dívidas acumuladas e às ações judiciais em curso. A situação evidencia a complexidade da gestão financeira de empresas que atuam no setor automotivo e a dificuldade de credores em recuperar valores devidos, especialmente quando há alegações de fraudes e ocultação de bens.







