Um novo relatório da Polícia Federal (PF) trouxe à tona conversas entre Daniel Vorcaro, ex-presidente do Banco Master, e Angêlo Antônio Ribeiro da Silva, ex-diretor de Contabilidade da instituição financeira, que indicam tentativas de alterar documentos relacionados a uma carteira de ativos podres vendida ao Banco de Brasília (BRB). Essas trocas de mensagens revelam estratégias para esconder a verdadeira condição dos papéis, que estavam envolvidos em uma operação que resultou na liquidação do Banco Master pelo Banco Central (BC).
De acordo com o relatório, as conversas ocorreram em julho de 2025, período em que o banco enfrentava dificuldades financeiras graves. Em uma das mensagens destacadas pelos investigadores, Vorcaro orienta Ângelo após receber um arquivo intitulado “Ofício Banco Master ao Desup – resposta a requisição – operação com Tirreno” no dia 23 de julho de 2025. Na mensagem, Vorcaro afirma: “Tudo errado Angelo, 2,5 bilhões de prejuízo. Se eu mandar isso, fecha as portas amanhã do banco”. Essa declaração evidencia a gravidade da situação financeira do banco e a tentativa de manipular informações para evitar consequências mais severas.
Na sequência, os interlocutores discutem sobre alterações nos documentos. No dia seguinte, 24 de julho, Vorcaro aconselha: “Isso vai para Bacen. Não precisa deixar telegrafado tudo. Quanto menos facilitar para eles, melhor. Melhor deixar desordenado”. A orientação indica uma tentativa de dificultar a fiscalização do Banco Central, com o objetivo de mascarar a real situação dos ativos podres, que, na operação, envolviam a venda de papéis relacionados à Tirreno por R$ 12,2 bilhões ao BRB.
Esses papéis, considerados “podres”, estavam ligados à operação de venda do Banco Master ao BRB e constituíram o núcleo da primeira fase da Operação Compliance Zero. A operação resultou na prisão de Vorcaro e na liquidação do banco pelo Banco Central, sob alegações de irregularidades na gestão e na transparência dos ativos financeiros envolvidos.
A venda dos ativos podres da Tirreno ao BRB por R$ 12,2 bilhões é um elemento central na investigação, pois revela a complexidade das operações financeiras ilícitas que levaram ao colapso do Banco Master. As conversas obtidas pelo relatório da PF reforçam o entendimento de que houve uma tentativa deliberada de manipular documentos e informações, com o objetivo de esconder prejuízos bilionários e evitar ações regulatórias mais rigorosas.
Este episódio evidencia os riscos e as fraudes que podem ocorrer em operações de grande escala no sistema financeiro, além de ilustrar a importância de fiscalização rigorosa e de transparência nas transações envolvendo ativos considerados de risco elevado. As investigações continuam, buscando esclarecer o grau de envolvimento de outros agentes e possíveis irregularidades em todo o processo de venda e manipulação dos papéis podres.







