O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou nesta terça-feira, durante participação em sabatina realizada pela Record, que na próxima sexta-feira, dia 18, apresentará uma nova estratégia de segurança pública voltada especificamente para o estado do Rio de Janeiro. A iniciativa, segundo o mandatário, visa fortalecer o combate ao crime organizado e ao tráfico de drogas, além de promover maior integração entre os diferentes níveis de governo na região.
Lula também destacou que, caso seja aprovada a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, pretende dobrar o efetivo da Polícia Federal. A proposta, atualmente em tramitação no Congresso, busca ampliar a participação da União na segurança pública, constitucionalizando mecanismos do Sistema Único de Segurança Pública (Susp) e estabelecendo novas atribuições para os entes federais, estaduais e municipais. O presidente afirmou que a experiência piloto, que ocorrerá no Rio de Janeiro na sexta-feira, envolverá uma parceria entre o governo federal, o estadual e a prefeitura, com o objetivo de testar uma maior integração na atuação contra o crime organizado.
Lula argumentou que a participação do governo federal na segurança pública ainda é limitada e que a aprovação da PEC é fundamental para ampliar recursos e estrutura na área. Segundo ele, será necessário não apenas dobrar o efetivo da Polícia Federal, mas também investir mais em inteligência e ampliar a capacidade de atuação das forças federais no combate ao crime. O presidente reforçou que a iniciativa visa responder às ameaças de organizações criminosas que atuam em diferentes estados e que, devido à extensão das fronteiras terrestres e marítimas do Brasil, demandam uma presença mais robusta do Estado.
Além da questão da segurança, Lula voltou a defender a criação de um Ministério da Segurança Pública, uma proposta que já vinha sendo defendida durante sua campanha eleitoral. Para o presidente, o reforço das forças federais é essencial para estabelecer uma ordem mais firme no país, especialmente diante do avanço de organizações criminosas e da necessidade de uma atuação coordenada entre os diferentes níveis de governo.
Na sabatina, Lula também abordou temas econômicos, criticando o atual modelo de autonomia do Banco Central. Ele afirmou que é importante que o presidente eleito tenha instrumentos para interferir na condução da economia em momentos de crise, algo que, segundo ele, estaria limitado atualmente devido à autonomia da instituição. Lula declarou que, embora respeite o atual presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, sua influência sobre a política monetária é restrita pela autonomia do órgão. Ele ressaltou que, durante seus dois mandatos anteriores, o Banco Central não tinha autonomia formal, mas que, mesmo assim, não interferia diretamente nas decisões da instituição, e que a autonomia por si só não resolveu todos os problemas econômicos do país.
A declaração demonstra uma postura mais crítica do presidente em relação à autonomia do Banco Central, indicando uma possível mudança de postura caso seja reeleito. Lula reforçou que a sua prioridade é garantir que o Executivo possa atuar de forma mais efetiva na gestão econômica, especialmente em momentos de instabilidade financeira ou inflação elevada.





