O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, determinou nesta terça-feira (15) o envio de novos elementos à investigação que apura possíveis condutas do ministro André Mendonça, relator do processo, atualmente sob análise do presidente da Corte, Edson Fachin. A decisão ocorreu às vésperas do julgamento de mensagens que evidenciam uma relação próxima entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Este julgamento está agendado para o dia 23 de setembro, na sessão do STF.
Na sua decisão, Dino reuniu uma série de fatos que, segundo ele, demandam esclarecimentos adicionais por estarem relacionados ao Banco Master e a um processo que trata da privatização dos serviços funerários e cemiteriais de São Paulo. Este processo, que tinha como relator Dino em 2024, contou com a participação direta de Mendonça no julgamento. Em novembro daquele ano, Dino havia estabelecido um teto para os preços cobrados pelas concessionárias de cemitérios, diante de indícios de valores abusivos praticados pelo setor. Posteriormente, em março de 2025, ele ampliou as medidas de transparência e fiscalização, mas o julgamento foi interrompido após Mendonça solicitar vista dos autos.
A conexão com o Banco Master aparece por meio da empresa Cortel, uma das concessionárias atuantes no setor de serviços funerários. Documentos internos da companhia, datados entre 2022 e 2025, indicam assinaturas de Fabiano Zettel, cunhado do ex-banqueiro Vorcaro e na época conselheiro da Cortel. Além disso, há evidências de endereços de e-mail institucionais vinculados ao Banco Master e à empresa, fortalecendo a suspeita de relação entre os fatos.
Dino também destacou que Zettel possui vínculo com a Igreja Batista da Lagoinha, uma informação que chamou atenção na análise. O ministro ressaltou que Mendonça declarou ter recebido Vorcaro a pedido de membros dessa igreja, com intermediação de Cezinha de Madureira, também integrante do mesmo círculo religioso. Segundo o ministro, embora esses elementos isoladamente não comprovem irregularidades, a multiplicidade de conexões, sua natureza e o momento em que ocorreram indicam um quadro de indícios que merece aprofundamento.
O ministro enfatizou que sua intenção não é antecipar responsabilidades criminais ou por improbidade administrativa, mas que os fatos levantados justificam uma investigação mais detalhada. Além do processo principal, Dino apontou uma sequência de acontecimentos envolvendo Mendonça, Vorcaro, Cezinha de Madureira, o irmão do ministro, Alexandre de Almeida Mendonça, e o Instituto Iter.
Dino também determinou que a Prefeitura de São Paulo e a SP Regula entreguem, em até dez dias, documentos relacionados à concessão dos serviços cemiteriais à Cortel, incluindo informações sobre composição societária, alterações contratuais e possíveis relações econômicas ou financeiras com o Banco Master. Além disso, solicitou ao Ministério Público de São Paulo (MPSP) dados sobre inquéritos relacionados ao caso e pediu à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) informações detalhadas sobre a relação entre fundos de investimento e empresas privadas que atuam na concessão de cemitérios na capital paulista, especialmente no que diz respeito à Cortel.





