A três dias do pleito presidencial de 2026, os candidatos que tentam se estabelecer fora do confronto entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) apresentaram uma redução em sua participação nas intenções de voto. No entanto, esse recuo ainda não foi suficiente para indicar uma definição clara da eleição no primeiro turno, que exige a maioria absoluta dos votos válidos para o vencedor.
A última pesquisa realizada pelo instituto Real Time Big Data, divulgada na quinta-feira (1º), revela que Lula mantém uma vantagem de quatro pontos percentuais sobre Flávio Bolsonaro. Lula está com 43% das intenções de voto, enquanto Flávio registra 39%. Ambos avançaram dois pontos percentuais em relação ao levantamento anterior, realizado em 24 de setembro, quando Lula tinha 41% e Flávio, 37%. Este movimento sugere uma tendência de crescimento para ambos os candidatos principais, embora ainda não seja suficiente para garantir a vitória no primeiro turno, que exige mais da metade dos votos válidos.
No mesmo período, os candidatos que representam a chamada terceira via ou que tentam se consolidar fora do eixo Lula-Flávio perderam espaço. Juntos, Renan Santos (Missão), Augusto Cury (Avante), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) passaram de 15% para 11% das intenções de voto. Essa redução indica uma diminuição do apoio a esses nomes, reforçando a polarização crescente entre os dois principais postulantes.
De acordo com o cientista político Bruno Soller, do Real Time Big Data, esse movimento de migração de votos dos candidatos menores está ocorrendo de forma equilibrada, ou seja, os votos estão sendo redistribuídos para Lula e Flávio, o que dificulta a formação de uma maioria clara para qualquer um deles, até o momento. A análise de votos válidos — que exclui brancos, nulos e indecisos, e é o critério utilizado pela Justiça Eleitoral para determinar o resultado — aponta Lula com 46% e Flávio com 41%. Os demais candidatos somam 13% nesse cálculo.
Para conquistar a vitória no primeiro turno, um candidato precisa obter mais da metade dos votos válidos, ou seja, pelo menos 50%. Com o cenário atual, Lula precisaria avançar mais de quatro pontos percentuais nesse indicador para ultrapassar essa margem. A tendência de crescimento de ambos os principais candidatos mantém a possibilidade de uma disputa acirrada até o dia da votação, marcada para o próximo domingo.
Esse cenário de redução do espaço dos candidatos fora da polarização também remete à eleição presidencial de 2022, quando Lula terminou com 48,43% dos votos válidos, e Jair Bolsonaro obteve 43,20%. Naquele pleito, os demais candidatos somaram 8,37%. Soller destaca que, na reta final daquele processo, houve uma concentração maior de votos em Lula e Bolsonaro, e há a possibilidade de que esse movimento se repita nesta eleição. Diferentemente de 2022, porém, a soma dos candidatos que não fazem parte do duelo Lula-Flávio ainda representa uma fatia maior do eleitorado, de aproximadamente 13% dos votos válidos, quase cinco pontos acima do percentual obtido pelos demais na última eleição presidencial.
Diante desse quadro, a expectativa é de que a disputa continue acirrada até o dia da votação, com o cenário de polarização se consolidando. A tendência de migração de votos e o crescimento dos dois principais candidatos indicam que, apesar da redução do espaço dos demais nomes, a definição do primeiro turno ainda permanece incerta.








