O Diretório Nacional do PDT aprovou nesta sexta-feira (6) a entrada do partido em uma federação partidária ao lado de Solidariedade, PRD e Avante. A decisão ocorre após o PDT não atingir a cláusula de desempenho nas eleições de 2026, requisito previsto na legislação eleitoral para que as legendas tenham acesso ao Fundo Partidário e ao horário gratuito de propaganda eleitoral. O acordo ainda precisa ser analisado e homologado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A federação partidária permite que os partidos participantes atuem de forma conjunta durante o período mínimo previsto em lei. Na prática, as legendas passam a compartilhar uma estratégia política e podem ter seus resultados eleitorais considerados de maneira conjunta para o cumprimento das exigências relacionadas à cláusula de desempenho.
O mecanismo é relevante para siglas que ficaram abaixo dos critérios estabelecidos pela legislação. Além do PDT, o Avante e a federação formada anteriormente por PRD e Solidariedade também não alcançaram o desempenho mínimo exigido nas urnas. Com a nova composição, os quatro partidos pretendem reunir os resultados obtidos por seus candidatos e ampliar a possibilidade de acesso aos recursos públicos e ao tempo de propaganda destinados às legendas que atendem às regras eleitorais.
Caso a união seja aprovada pelo TSE, PDT, Solidariedade, PRD e Avante passarão a funcionar como uma única bancada no Congresso Nacional. A legislação determina ainda que os partidos integrantes de uma federação permaneçam unidos por pelo menos quatro anos. Por isso, a decisão aprovada pelo PDT não representa apenas uma aliança eleitoral pontual, mas um compromisso político e organizacional de longo prazo entre as quatro siglas.
Participação do PSB ainda depende de negociação
Na mesma reunião que autorizou a entrada do PDT na federação, a Executiva Nacional do partido aprovou um indicativo favorável à possível inclusão do PSB. A legenda, no entanto, não foi incorporada à decisão desta sexta-feira. Para que isso ocorra, ainda serão necessárias negociações internas e a aprovação das executivas nacionais dos partidos envolvidos.
A eventual entrada do PSB faria parte de uma composição mais ampla estudada pelo PDT para reduzir os efeitos políticos e institucionais provocados pelo desempenho eleitoral abaixo da cláusula de desempenho. Dez dias antes da aprovação, dirigentes pedetistas afirmavam que uma federação com o PSB era a principal prioridade da legenda. As tratativas, porém, foram dificultadas por divergências políticas acumuladas nos últimos anos.
Entre os elementos que afetaram a relação entre os dois partidos está o rompimento político entre os irmãos Ciro Gomes e Cid Gomes no Ceará. Cid deixou o PDT e se filiou ao PSB em 2024. No ano seguinte, em 2025, Ciro Gomes ingressou no PSDB. A mudança de partido dos dois dirigentes contribuiu para tornar mais complexa a formação de um acordo entre PDT e PSB.
Aliança entre Solidariedade e PRD foi formalizada em 2025
A origem da federação aprovada agora remonta a junho de 2025, quando Solidariedade e PRD oficializaram a união entre as duas legendas. Na ocasião, o Avante decidiu não participar da composição. Posteriormente, porém, o partido passou a negociar sua entrada no grupo formado inicialmente pelos dois partidos.
Antes de avançar para a federação, o Avante examinou outras possibilidades para lidar com as exigências eleitorais. Uma das alternativas consideradas era a incorporação da legenda ao Solidariedade, hipótese que poderia ser adotada caso a ampliação da federação não recebesse autorização da Justiça Eleitoral.
Com a aprovação do PDT, a composição originalmente formada por Solidariedade e PRD ganha um novo desenho, com a participação também do Avante e do partido presidido pelos pedetistas. A união, entretanto, ainda não está concluída: a validade da federação depende da análise e da homologação do Tribunal Superior Eleitoral.





